(Mini-Review) PlayStation Portal: Mas… Para quê!?

(Mini-Review) PlayStation Portal: Quem se lembra de quando saiu a PSP em 2005? Ou melhor, quem se lembra da sensação de jogar pela primeira vez jogos de calibre tão alto on-the-go? Isto pode parecer conversa de velho, mas lembro-me muito bem de jogar GTA Vice City Stories, bem como Tekken 5 Dark Resurrection nos intervalos da escola (e às vezes até durante algumas das aulas menos interessantes). Belos tempos!

Pois bem, como eu, existem muitos milhares de outros gamers que também se lembram muito bem desta experiência, e que por isso mesmo continuam à espera de uma nova consola portátil da Sony.

  • Nota: (Sim, eu sei que entretanto tivemos a PS Vita. Porém, apesar da consola em si ser bastante competente, a Sony decidiu infelizmente abandonar a mesma demasiado cedo.)

(Mini-Review) PlayStation Portal: Mas… Para quê!?

Dito tudo isto, posso desde já dizer que quando soube que a Sony estava a preparar alguma novidade relacionada com um dispositivo portátil, fiquei extremamente esperançoso. Porém, pelo menos no meu caso, essa esperança transformou-se rapidamente em ceticismo, quando o tão badalado produto foi anunciado publicamente naquilo que é agora a Playstation Portal por 219,99€.

Porquê uma desilusão? Bem, na altura tudo me pareceu um bocado redundante (dada a já existente possibilidade de utilizar o remote play noutros dispositivos móveis), mas mais pelo facto de termos um aparelho dedicado, que acaba por ter o seu funcionamento 100% dependente de alguns fatores externos, como é a sua consola sempre ligada em casa, e claro, a velocidade e consistência da sua internet.

Será que fui obrigado a engolir as minhas palavras depois de ter tido a oportunidade de testar o Portal? Vamos descobrir com esta análise.

Hardware e Controlos

Bem, esta secção não vai de todo muito comprida, visto que na realidade não há muito a dizer.

O Playstation Portal não é nada mais que um ecrã LCD de 8 polegadas com resolução de 1080p e um limite máximo de 60Hz no campo da taxa de atualização de frames, tudo isto com um chip Qualcomm Snapdragon 662 colocado bem no centro de um comando DualSense (ao estilo de uma Nintendo Switch, mas com a desvantagem de não ser possível retirar os comandos, e de não existir uma dock).

Porém, nem tudo é mau!

Se há algo que vou gabar é sem dúvida a qualidade e ergonomia do comando. Isto porque o DualSense é, e sempre foi na minha opinião, um comando excelente para longas jogatanas.

Aliás, o facto do comando da Portal ser basicamente um DualSense cortado ao meio, com um ecrã no centro, faz com que tenhamos toda a autenticidade de jogar numa PS5 com hardware oficial (onde podemos incluir os gatilhos adaptativos).

Para além de tudo isto, a “consola” é leve, ao mesmo tempo que conta com um aspeto “premium”. Ou seja, é um aparelho desenhado e produzido pela Sony. A qualidade está sempre presente.

Aconselho no entanto o caro leitor a comprar uma bolsa para a Portal. Fica a sensação que os analógicos estão muito expostos/saídos, e por isso mais propícios a dano do que por exemplo uma Switch.

Qualidade da Transmissão

Para ter uma experiência reveladora, decidi fazer os testes em três situações distintas, visto que dada a dependência total que este aparelho tem da qualidade da internet, quis simular os cenários mais comuns em que se vai jogar numa Portal.

  • Nota: Em todos os testes tive a minha PS5 ligada por cabo ethernet para garantir que a performance estava o mais dependente possível da Portal, e não da minha consola.

Para além disso, para perceber o impacto da jogabilidade via Internet através do Remote Play, testei um jogo singleplayer (Final Fantasy XVI) bem como um jogo multiplayer (CoD: MW3) em cada um dos cenários.

Teste em casa:
  • Ligado à minha Wi-Fi e estando bastante perto do router, a experiência de jogo foi sem dúvida positiva, conseguindo jogar FF XVI sem qualquer problema e a 1080p. O mesmo se aplicou a algumas partidas de Free-for-all que fiz no COD: MW3, sendo que em momento algum me senti em desvantagem comparativamente a jogar na própria consola.
Teste no trabalho:
  • Já na rede Wi-Fi do meu trabalho, e mesmo ao lado do router, a conversa já foi outra. Como acontece na grande maioria dos locais de trabalho, a velocidade de Wi-Fi tem tendência a não ser tão rápida como em casa, porque a largura de banda tem de ser partilhada por um número significativamente maior de utilizadores. Ainda assim, isto traduziu-se numa experiência singleplayer “aceitável” (mais inconstante/breaks na transmissão), mas numa experiência multiplayer bem mais fraca (a inconsistência e a existência de um pouco de delay no tempo de resposta afeta negativamente qualquer partida on-line).
No café:
  • Por fim, ligado à rede Wi-Fi de um café e sentado na esplanada, mais vale nem tentar. A realidade é que numa situação destas, salvo muito raras exceções que possam existir… Nunca vai ter uma experiência minimamente consistente ou que sequer dê para jogar. Isto aplica-se a jogos singleplayer e, como é óbvio, mais ainda a qualquer jogo multiplayer de ação competitivo.

Conclusão

A realidade é que não é fácil dar simplesmente um veredicto final. Isto porque a qualidade da experiência vai depender a 100% da velocidade da internet, e como tal, a minha experiência poderá não ser igual à sua.

Se o seu objetivo é deixar a TV para a namorada e estar sentado no sofá de casa, ligado à Wi-Fi (de preferência na mesma divisão do router). Então a Portal funciona como esperado (a 1080p, 60hz e com uma transmissão fluida).

Mas o mesmo pode ser dito se usar o Remote Play no telemóvel, ou portátil, ou ROG Ally, ou… Acho que me faço entender.

O principal problema da PlayStation Portal surge quando levamos este aparelho para fora de casa. O que claro está, significa que para ter uma experiência aceitável, temos de utilizar esta “consola” sempre em locais como uma segunda casa/casa de um amigo. Tudo de forma a garantir o acesso a uma rede Wi-Fi rápida, fiável e consistente.

Um último possível problema é o facto da PS5 ter de estar permanentemente em Rest Mode. Além disso, tem de estar sempre ligada à internet para a ligação ser sequer possível. É um problema ligeiro? Nem por isso.

Faltou a luz em sua casa enquanto está de viagem? Ficou sem internet em casa e não está lá para tentar resolver o problema? Parabéns, mesmo que esteja num sitio com a internet mais rápida do mundo, tem nas mãos um pisa papéis de 219,99€.

Em suma, pense muito bem na utilidade que vai dar à Portal antes de a comprar, especialmente nos locais/situações em que iria querer jogar.

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Gonçalo Henriques
Lembro-me de ser miúdo e passar os meus dias a jogar NES/PS1, acho que até aí já sabia que iria ser gamer para o resto da vida. Agora quero partilhar este meu interesse com todos os que estejam interessados em ouvir um geek a falar da sua paixão.

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