Lembras-te dos bons velhos tempos em que os componentes mais caros de um smartphone eram o seu processador e ecrã OLED. Pois bem… Esquece isso! A memória RAM e armazenamento interno, que durante muitos anos estiveram ao preço da chuva, são agora os componentes mais caros, e vão com toda a certeza resultar em preços mais altos para todos nós.
Aliás, se o preço fosse o único problema, até que nem era o fim do mundo. A questão é que vai tudo ficar mais caro, e vai ficar tudo pior. Porque vamos começar a ver memória mais lenta, e em menor quantidade, a preços absurdos.
Memória RAM já ultrapassa 50% do custo de um smartphone
Portanto, o aviso não vem de um analista qualquer escondido atrás de gráficos, mas sim de Carl Pei, o carismático CEO e cofundador da Nothing.
O homem forte da marca decidiu recorrer à sua conta na rede social X para lançar um autêntico balde de água fria no mercado… Ou seja, os chips de memória RAM e armazenamento subiram tanto de preço que já representam mais de 50% do custo total dos componentes de um smartphone.
Esquece aquela velha máxima da indústria de que a tecnologia fica mais barata à medida que o tempo passa.
A IA rebentou com isto tudo.
O caso do Nothing Phone (4a)?
IMAGEM
Para percebermos o tamanho do estrago no mundo real, Carl Pei deu o exemplo prático daquilo que se passou nos bastidores da sua própria empresa durante o desenvolvimento do novo Nothing Phone (4a).
Entre a fase inicial de design do smartphone e o momento em que ele foi finalizado para produção, o custo dos chips de memória simplesmente duplicou. E, como se isso não bastasse, voltou a duplicar logo a seguir. É um cenário insustentável que deixa qualquer fabricante encostada à parede.
As marcas já não conseguem contornar o problema fazendo grandes contratos ou acumulando stock nos armazéns antes de começarem a montar os aparelhos. Atualmente, as fábricas de semicondutores estão a racionar as entregas. Empresas como a Nothing ou qualquer outra gigante do mercado têm de se sujeitar ao que podem encomendar.
Fim dos grandes descontos!
Este sufoco financeiro já está a passar diretamente para a carteira do consumidor e a tendência é para piorar até ao próximo ano.
Se reparares nos smartphones lançados nos últimos meses, a grande maioria chegou às prateleiras com preços substancialmente mais inflacionados em comparação com as gerações anteriores. E não penses que isto afeta apenas os telemóveis; no lado dos computadores o cenário é idêntico, com a HP a admitir recentemente que a memória já representa mais de 30% do custo de produção de um PC.
Enfim… se estás à espera para trocar de dispositivo, o melhor momento para o fazer foi ontem. O segundo melhor momento é agora.
As campanhas de saldos e promoções deste ano não vão ter os descontos agressivos a que o público se habituou, simplesmente porque as marcas não têm margem para cortar nos preços. Se precisas mesmo de comprar, avança antes que a fatura suba ainda mais.





