O mundo do hardware para PC parece estar sem ideias e, quando isso acontece, a solução da indústria é ir ao baú do passado resgatar conceitos que já deviam estar enterrados.
Ou seja, dentro de uma parceria que está a dar que falar, a G.Skill e a Cooler Master decidiram unir forças para lançar módulos de memória DDR5 equipados com arrefecimento ativo. Sim, leste bem! Ventoinhas em cima dos pentes de RAM.
Pode parecer algo sem grande sentido, mas, a gama chama-se MasterDimm AC e promete ser a salvação térmica para estações de trabalho e computadores de jogo de alta performance.
O regresso do entulho dos anos da RAM DDR3 em formato MasterDimm AC?
Quem anda nestas andanças do hardware há mais de uma década lembra-se perfeitamente de que, no tempo das memórias DDR3, os kits premium vinham quase todos com uns blocos de plástico e ventoinhas para clipar por cima da RAM.
Era um autêntico entulho visual que acumulava pó e que quase toda a gente acabava por encostar a um canto. Porque… Bem… Não era necessário!
Agora, a Cooler Master quer convencer os utilizadores de que este design com “blowers otimizados para o ruído” é fundamental para manter os novos perfis extremos estáveis. Afinal, o sistema promete baixar as temperaturas operacionais da RAM até 15°C, mas o preço a pagar é ter um zumbido de até 35 dB vindo de cima da motherboard quando as ventoinhas estão em rotação máxima.
Porém, no papel, as especificações destes kits MasterDimm AC impressionam, suportando perfis de overclock AMD Expo até DDR5-6000 CL26 e configurações extremas CU-DIMM que escalam até aos DDR5-8400 via Intel XMP 3.0. As capacidades deste novo brinquedo vão esticar até aos 128GB e a apresentação oficial ao público está marcada para a feira Computex 2026, em Taiwan, já na próxima semana.
Mas, a obsessão com as velocidades absurdas da DDR5 está a transformar os computadores normais de 2026 em autênticas centrais industriais barulhentas.
Antigamente, marcas como a Kingston chegavam ao ridículo de criar memórias prontas para serem ligadas a circuitos de refrigeração líquida personalizada, como os HyperX H2O. Em 2026, ver o mercado a regressar a estas soluções mecânicas… Em vez de otimizar a arquitetura e a voltagem dos chips prova que a corrida aos às coisas “diferentes” está a todo o gás.
A minha visão?
Isto é o cúmulo do ridículo e a prova de que a indústria de hardware para PC perdeu o rumo.
Andámos anos a tentar tornar os computadores mais silenciosos, mais limpos, a investir em caixas com bom fluxo de ar. Bem como em ventoinhas de grandes dimensões que rodam devagar. Para agora virem duas marcas de topo sugerir que a solução para o futuro é enfiar micro-ventoinhas barulhentas de 35 dB. Não faz sentido.




