A MediaTek apresentou segunda-feira o Dimensity 9600 Pro, o primeiro processador para telemóveis fabricado no processo de 2 nm da TSMC. A empresa diz ser a primeira a chegar a este patamar, à frente da Qualcomm.
Os números que interessam
O chip tem mais de 33 mil milhões de transístores e usa uma configuração de CPU pouco habitual: oito núcleos, todos de alto desempenho, sem qualquer núcleo de eficiência. São dois núcleos C2-Ultra até 4,55 GHz, três C2-Pro a 4,35 GHz e mais três a 3,10 GHz.

A MediaTek reclama 17% mais desempenho em núcleo único e 15% em multinúcleo face ao Dimensity 9500. Mas o número que realmente salta à vista é outro: uma redução de 61% no consumo em multinúcleo para o mesmo pico de desempenho. Se se confirmar em testes independentes, é uma diferença que se sente na bateria ao fim do dia.
O Dimensity 9600 Pro é também o primeiro chip móvel a suportar memória LPDDR6 e armazenamento UFS 5.0. A MediaTek apresentou em paralelo o Dimensity 9600M, fabricado a 3 nm, para uma gama mais ampla de equipamentos topo de gama.
A IA passa a correr dentro do telemóvel
Há uma NPU dupla: uma unidade de alto desempenho de décima geração e uma segunda de baixo consumo para tarefas sempre ativas. A MediaTek afirma que o processamento inicial dos pedidos de IA melhora 51% em relação à geração anterior, e que o chip consegue correr modelos mixture-of-experts com até 30 mil milhões de parâmetros inteiramente no aparelho, sem recorrer à nuvem.
Na prática, isso pode significar menos dados enviados para servidores externos, respostas mais rápidas e algumas funções a trabalhar sem Internet. Depende inteiramente do que cada fabricante decidir implementar.
Que telemóveis vão ter este chip
Ao contrário do que acontece habitualmente nestes anúncios, já há nomes. O Vivo X500 Pro e o Oppo Find X10 Pro Max são apontados como os primeiros equipamentos a usar o Dimensity 9600 Pro. Não são confirmações das próprias marcas, mas os relatos são consistentes.

Entretanto o problema para quem está em Portugal é outro: ambos são modelos lançados primeiro na China, e nem a Vivo nem a Oppo têm garantido que estes topos de gama chegam ao mercado europeu. A MediaTek nunca conseguiu entrar nos carros-chefe da Samsung, da Google ou da OnePlus nos mercados ocidentais, e nada indica que isso mude agora.
Os 2 nm não são magia
Convém desmontar a ideia de que menos nanómetros significa automaticamente o dobro da velocidade. A passagem de 3 nm para 2 nm dá, ao nível do próprio silício, cerca de 14% mais desempenho e 23% menos consumo. O resto vem da arquitetura, das frequências, da refrigeração, da memória e do software.
Entretanto há ainda uma questão de preço. Assim a produção a 2 nm da TSMC tem rendimentos limitados, o que encarece cada chip. O Dimensity 9500 estimava-se entre 180 e 200 dólares por unidade no atacado, e este deve ficar acima. Numa altura em que a própria MediaTek admite pressão para subir preços, a fatura acaba por chegar ao consumidor.






