Já reparaste que há carros com matrículas portuguesas tão diferentes umas das outras? Umas começam por letras, outras por números, umas têm uma barra amarela ao lado, outras não. Não é ao acaso: cada formato conta a história de uma época. E, olhando para a matrícula de um carro, consegues adivinhar mais ou menos quando ele foi registado. Aqui está o guia.
Porque é que as matrículas portuguesas mudaram de formato
O sistema atual nasceu em 1937 e, desde então, mudou de formato quatro vezes, sempre pela mesma razão de fundo: as combinações esgotavam-se.
1937–1992: AA-00-00 (letras à frente)
Entretanto as primeiras matrículas modernas tinham duas letras seguidas de quatro números. Curiosidade importante: nesta fase, as letras indicavam o distrito onde o carro era registado. Assim as chapas eram pretas com caracteres brancos, aquelas que ainda vês em carros clássicos.
1992–2005: 00-00-AA (letras no fim)
Abandonou-se o sistema por distrito e passou a haver uma sequência nacional, sem significado geográfico. As chapas tornaram-se brancas com letras pretas, como as conhecemos hoje. Foi também nesta era (a partir de 1998) que surgiu a famosa barra amarela com o mês e ano de registo.
2005–2020: 00-AA-00 (letras no meio)
As letras passaram para o centro, entre dois pares de números. Manteve-se a sequência nacional, o fundo branco e a barra amarela.
Desde 2020: AA-00-AA (letras nas pontas)
O formato atual: dois pares de letras nas extremidades e dois números no meio. Assim a primeira chapa, “AA 01 AA”, foi atribuída em março de 2020, curiosamente, a um carro elétrico.
Como adivinhar a idade de um carro pela matrícula
Com esta tabela na cabeça, consegues estimar a “idade” de um carro só de olhar:
Letras à frente e chapa preta? Carro clássico, anterior a 1992.
Números-números-letras (00-00-AA)? Entre 1992 e 2005.
Números-letras-números (00-AA-00)? Entre 2005 e 2020.
Letras-números-letras (AA-00-AA)? De 2020 para cá.
E há ainda a barra amarela do lado direito (nos formatos antigos): indicava o mês e o ano do primeiro registo do veículo, um pormenor que tornava a matrícula portuguesa quase única na Europa.
Porque é que mudaram (e porque acabou a barra amarela)
A razão principal de cada mudança foi sempre a mesma: as combinações esgotavam-se. Com milhões de carros a serem registados, cada formato tinha um número limitado de matrículas possíveis. O novo formato de 2020 multiplicou bastante as combinações disponíveis e deve durar muitas décadas.
Entretanto quanto à barra amarela com o mês/ano, eliminou-se no formato novo por uma questão de uniformização europeia. Portugal era o único país da UE a incluir essa informação na chapa — e isso causava confusão a autoridades de outros países, que muitas vezes a interpretavam como uma data de validade da matrícula, coisa que não existe em Portugal.
Um pormenor curioso: nada de palavrões
Com quatro letras nas matrículas novas, abriu-se a porta a combinações… menos próprias. Para evitar palavras impróprias, o sistema não usa vogais em certas posições das letras, uma regra discreta que evita que apareçam matrículas embaraçosas pelas estradas.
Em resumo
A matrícula de um carro torna-se quase um bilhete de identidade com data aproximada lá escondida. Da próxima vez que estiveres parado no trânsito, repara nas chapas à tua volta: agora já consegues “ler” a idade de cada carro só pela ordem das letras e dos números. E não, as letras já não dizem de que distrito é o carro, isso ficou para trás em 1992.






