Desde que começaram a circular os planos da Sony para mandar os discos físicos da PlayStation para a reforma e empurrar toda a gente para o formato 100% digital, a reação da comunidade de jogadores tem sido de pura revolta. E com toda a razão! Quem anda neste meio há anos sabe perfeitamente que o mercado físico sempre foi o maior aliado da nossa carteira, seja pelas promoções agressivas do retalho tradicional, seja pela hipótese de comprar e vender jogos usados.
No entanto, há sempre quem goste de remar contra a maré da lógica.
Dito isto, um antigo executivo da Square Enix veio a público defender uma teoria que parece saída de um universo paralelo. Afinal, segundo ele, a morte definitiva dos discos na PS5 vai tornar os jogos na PlayStation Store… mais baratos. Pois claro.
A teoria do “efeito Steam” que ninguém no mundo das consolas consegue engolir

Portanto, a justificação apresentada por Jacob Navok (antigo diretor de desenvolvimento de negócio da Square Enix) baseia-se na ideia de que os preços atuais na PS Store estão “amarrados” aos valores praticados nas lojas físicas para não chatear o retalho.
Ou seja, na cabeça do executivo, assim que o formato físico desaparecer por completo, as editoras vão começar a competir diretamente entre si dentro da loja digital da Sony. Baixando os preços de forma mais rápida e agressiva ao longo do ciclo de vida dos jogos. De facto, à semelhança do que acontece no Steam no PC.
Navok defende ainda que não é a Sony que tabela os preços, mas sim as próprias produtoras, funcionando a PS Store como um mero mercado aberto. Mas… Não é bem assim.
A realidade da carteira? O digital na PlayStation é quase 50% mais caro
Comparar a concorrência aberta do PC com o jardim fechado da Sony é uma falácia.
No computador, se não quiseres comprar no Steam, tens a Epic Games Store, o GOG ou lojas autorizadas de chaves digitais. Na PlayStation só tens uma porta de entrada… A PlayStation Store da Sony, que cobra a sua comissão intocável de 30% em tudo o que é vendido.
Os números não mentem. Dados recentes recolhidos em processos judiciais contra a própria Sony mostraram que os jogos em formato digital na PS Store chegam a ser, em média, 47% mais caros do que as mesmas versões físicas em disco vendidas nas lojas. O mercado em segunda mão e o stock físico das superfícies comerciais sempre foram o único travão que impedia a Sony e as editoras de manterem jogos com três ou quatro anos a custar 70€ e 80€ na loja digital. (Algo que a Nintendo é capaz de fazer com os jogos da Switch!)
Acreditar que uma empresa que ganha o monopólio absoluto da distribuição de jogos na sua consola vai, por bondade da sua alma, começar a praticar preços mais baixos sem qualquer pressão externa da concorrência física é de uma ingenuidade atroz. Não vai acontecer.







