Num tempo em que se fala tanto em reparar (em vez de deitar fora) os aparelhos, surge um caso extremo e fascinante. Um telemóvel que chega desmontado e cuja montagem é o próprio produto. Chama-se MAKERphone 2.0, monta-se em cerca de duas horas sem soldar nada (só com parafusos e encaixes). É simples ao ponto de uma criança de 9 anos o conseguir construir. Explicamos o que é este projeto invulgar.
Montar o telemóvel é a graça
Ao contrário de qualquer telemóvel normal, o MAKERphone 2.0 vem numa caixa com todas as peças separadas. Ou seja, ecrã, bateria, placa, teclado e um manual ilustrado passo a passo. Juntas tudo com uma chave de fendas, encaixas os conectores, apertas os parafusos, e ao fim de umas duas horas tens um telemóvel a funcionar que construíste com as tuas mãos.

Entretanto há um pormenor que o torna verdadeiramente “reparável”. O que se fecha com uma chave de fendas volta a abrir com a mesma chave. Cada peça sai inteira, o que significa que, se algo se estragar, substituis só essa peça. Isto em vez de deitares o aparelho todo fora. É o oposto dos telemóveis modernos, colados e impossíveis de abrir.
Módulos que se encaixam (e o telemóvel reconhece sozinho)
A outra grande ideia é a modularidade. Há seis módulos que encaixam num conector próprio, câmara, coluna, lanterna, sensor de temperatura e humidade, infravermelhos e uma placa perfurada para criares os teus próprios circuitos. Quando encaixas um, o sistema deteta-o sozinho e faz aparecer a respetiva app no menu.
É por isto que o MAKERphone é, na verdade, uma ferramenta educativa: ensina eletrónica, montagem e até programação de forma prática e divertida, mais do que um telemóvel para usar a sério, é um “brinquedo” de aprendizagem para miúdos (e curiosos adultos).
A ficha técnica (modesta, de propósito)
Entretanto não esperes um topo de gama, nem é essa a intenção. O MAKERphone 2.0 tem um núcleo ESP32-S3, ecrã de 1,77 polegadas, bateria de 1000 mAh, jack de 3,5 mm, ranhura microSD, USB-C e pesa apenas 104 g. Faz chamadas e mensagens (rede LTE Cat-1 com recurso a 2G, cartão nano-SIM), mas é, propositadamente, simples, o foco é aprender a construí-lo e a mexer-lhe, não competir com um smartphone.

O sucesso
O projeto está a ser um êxito no Kickstarter (a plataforma de financiamento coletivo). Como tal já ultrapassou os 300 mil dólares, muito acima da meta inicial de 30 mil, mais de 1.000% financiado, com milhares de apoiantes. A campanha da CircuitMess (a empresa por trás) foi destacada pela própria Kickstarter.
Vale a pena?
Entretanto como telemóvel para o dia a dia, não é essa a ideia. Como experiência educativa, para ensinar eletrónica a um filho, para um curioso que gosta de “meter as mãos”, ou como presente diferente para quem adora tecnologia, é uma proposta original e com pernas. Assim num mundo de aparelhos selados e descartáveis, um telemóvel que se monta, se abre e se repara é, no mínimo, um sopro de ar fresco.
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