Todos os anos, e isto é especialmente verdade no lado dos smartphones, recebemos listas de especificações cada vez mais apetrechadas. Sejam processadores baseados em processos de produção mais avançados e poderosos, mais megapíxeis, baterias maiores, etc… Mas, no final do dia, a realidade é que a experiência de utilização pouco ou nada muda.
Ainda assim, as marcas continuavam a jogar este “joguinho”, porque era a única forma de mostrar aos consumidores que de facto existiam melhorias para justificar os preços inflacionados que víamos nas etiquetas das lojas.
Pois bem… o jogo está oficialmente obsoleto!
Mais hardware só porque sim? Ainda faz sentido?
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Portanto, antigamente eram mais câmaras, mais potência, mais eficiência, ecrãs mais brilhantes, etc… Mas agora, com o caos da memória a destruir tudo o que tinha sido construído até aqui, temos de ter uma conversa muito desagradável.
A realidade é que são muito poucos os consumidores que de facto sentem a diferença no dia a dia de todas estas melhorias incrementais. Estas só aconteciam porque eram baratas e fáceis de implementar para as fabricantes. Agora? Deixaram de o ser. Mas, como fomos habituados a este jogo durante mais de uma década, não existe uma solução fácil.
As marcas são agora obrigadas a cortar nas especificações, o que não corre nada bem na gama média e na gama alta, ou têm de ir pelo caminho do aumento direto de preços, o que pode correr ainda pior para o volume de vendas.
Depois, há marcas que optaram pelo pior dos dois mundos… cortaram um pouco nas especificações e aumentaram os preços na mesma.
A ilusão das fichas técnicas acabou: E agora?
Quando a folha de especificações deixa de ser o grande argumento de venda porque os custos de produção explodiram, as fabricantes ficam sem rede de segurança. Cortar na RAM base dos modelos de entrada ou disfarçar litografias de processador mais antigas pode funcionar durante um trimestre ou dois, mas o consumidor não é estúpido e nota quando está a pagar mais por menos produto.
Afinal, se notas no pacote de manteigas, ou na barra do chocolate, rapidamente vais notar que o teu smartphone também te está a tentar enganar.
Se as marcas querem continuar a convencer alguém a trocar de telemóvel todos os anos (ou a cada dois anos), vão ter de parar de vender números e passar a entregar utilidade real no software, na otimização e na durabilidade. Caso contrário, a consequência vai ser só uma! As pessoas vão agarrar-se aos smartphones que já têm durante quatro ou cinco anos, e o mercado vai ter de aprender a lidar com essa nova realidade.







