Ao que tudo indica, a Qualcomm prepara mudança histórica nos chips topo de gama, o que pelos vistos se deve a um regresso em grande da Samsung.
Ou seja, durante muitos e longos anos, falar de processadores topo de gama da Qualcomm era quase sinónimo de uma coisa só: TSMC. A fabricante taiwanesa tornou-se o porto seguro de quase todas as fabricantes que de facto querem performance e eficiência energética. E claro, para a Qualcomm, para tudo o que fosse Snapdragon de alto desempenho, a escolha iria sempre cair para a TSMC, isto enquanto a Samsung ficava associada a problemas de yields, consumo excessivo e más decisões técnicas.
Mas… Em 2026, isso pode finalmente começar a mudar.

Portanto, segundo informações avançadas durante a CES 2026, a Qualcomm está a preparar uma estratégia de dupla fundição. Ou seja, a gigante dos processadores mobile não vai dizer adeus à TSMC. Porém, também não vai contar apenas e só com a gigante de Taiwan. Parte das encomendas vão para o lado da Samsung, graças ao sucesso do seu processo de 2nm GAA.
Isto é importante? Sem dúvida! É algo que já não acontece há mais de 5 anos.
A Samsung já não está a brincar aos semicondutores!
O mais interessante nesta história é que não estamos a falar de um teste experimental ou de um plano vago. O próprio CEO da Qualcomm confirmou que o trabalho de design está concluído e que o objetivo passa pela comercialização num futuro próximo. Ou seja, a decisão já não é teórica.
A Samsung tem vindo a estabilizar os seus processos de produção, incluindo o 2nm GAA que já está a ser usado no Exynos 2600.
Claro que os yields ainda não são perfeitos, rondam os 50%, mas já são suficientemente bons para atrair clientes de peso. Especialmente porque há margem para melhorar, e como tal, melhorar ainda mais os contratos para quem quer fugir às garras da TSMC.
A prova disso está nos contratos recentes, desde chips de IA para a Tesla até encomendas de fabricantes chineses de hardware especializado.
Preço, preço e mais preço
Há outro detalhe que explica muito bem porque é que a Qualcomm está disposta a dividir a produção. A Samsung está a cobrar cerca de 20 mil dólares por wafer em 2nm GAA. A TSMC pede perto de 30 mil dólares pelo mesmo tipo de wafer. A diferença é gigantesca. Especialmente quando temos em conta o número de chips comprados por empresas como a Qualcomm.
Num mundo em que um Snapdragon 8 Elite Gen 5 já é estimado em cerca de 280 dólares por unidade, qualquer poupança a montante conta. Ainda mais quando já se fala que o futuro Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro será ainda mais caro.
Curiosamente, apesar do “desconto”, para a Samsung, o negócio também é extremamente apetecível. Fala-se em receitas na ordem dos 470 milhões de dólares apenas com esta parceria, com cerca de 10% da capacidade da fábrica de Hwaseong S3 dedicada a este chip.
O impacto real vai sentir-se no bolso do consumidor. Ainda não sabemos bem como. Mas nem tudo pode ser subir, subir e subir. Há oxigénio para respirar.

