Já começou uma nova época de nomes das tempestades na Europa. A lista para 2026/2027 foi aprovada e divulgada no início de setembro, e é o IPMA que representa Portugal neste sistema.
Quando começa e acaba a época
A nova época de nomeação de tempestades extratropicais arrancou a 1 de setembro deste ano. Vai terminar a 31 de agosto de 2027. Todos os anos, nesta mesma data, nasce uma nova lista de nomes, organizada em diferentes grupos europeus.

Portugal está no Grupo Sudoeste
Portugal pertence ao Grupo Sudoeste, representado pelo IPMA. Este grupo inclui ainda os serviços meteorológicos de Espanha, através da AEMET, de França, com a Météo-France, do Luxemburgo, da Bélgica e de Andorra. Ao todo, a rede EUMETNET reúne 33 serviços meteorológicos a nível europeu, e foi sob a sua alçada que nasceu este projeto conjunto de nomeação.
Como é constituída a lista
A lista de nomes para esta temporada tem 21 nomes, de A a Z, alternando entre masculinos e femininos. Segundo o IPMA, algumas letras foram excluídas por ser difícil encontrar nomes percetíveis por todos os parceiros do grupo. Uma tempestade só recebe um destes nomes quando reúne critérios previamente definidos. O vento é o elemento principal, mas a precipitação também conta, sempre que o impacto tenha potencial para ser severo.
Para uma depressão receber um nome, é preciso que cumpra critérios de grande impacto. Entre eles está a emissão de avisos de nível laranja ou vermelho no sistema europeu de avisos meteorológicos, o MeteoAlarm. Já as tempestades tropicais nomeadas pelo National Hurricane Center dos Estados Unidos seguem outra regra. Se, depois de nascerem no Atlântico, se transformarem em tempestades extratropicais, mantêm o nome original atribuído pelo NHC.

Porque se dá nome às tempestades
Segundo o IPMA, nomear tempestades tem-se mostrado eficaz para comunicar a ocorrência destes fenómenos, que trazem risco potencial para pessoas e bens. Além disso, facilita a comunicação entre os serviços meteorológicos de diferentes países e as estruturas de Proteção Civil. Por fim, torna mais fácil identificar e estudar cada depressão ao longo do seu percurso pela Europa.
Também há curiosidades ligadas às letras
Nem todas as letras do alfabeto entram na lista todos os anos. Por vezes, é difícil encontrar nomes que soem naturais em todos os idiomas dos países parceiros. Por isso, o grupo prefere deixar algumas letras de fora a escolher nomes forçados ou pouco reconhecíveis.
Uma tradição com quase 70 anos
A prática de atribuir nomes a centros de ação atmosférica não é nova. Na Alemanha, o Instituto de Meteorologia da Universidade Livre de Berlim já o faz desde 1954, incluindo nomes para anticiclones. O atual sistema usado por Portugal, Espanha e França nasceu a 1 de dezembro de 2017. Foi depois alargado à Bélgica em 2019, ao Luxemburgo em 2021 e a Andorra em 2025.
Vale ainda notar que nem todas as tempestades com nome chegam a atingir Portugal com força total. Muitas perdem intensidade antes de cá chegarem, ou passam ao largo, afetando apenas o estado do mar e o vento em zonas costeiras.
Já reparaste nalguma tempestade nomeada que tenha passado por Portugal nos últimos anos?








