A realidade do mundo dos carros e tech em Portugal é muito centrada em Lisboa, não fosse esta a nossa capital. Mas também há muita coisa a acontecer no Porto, e ainda bem que assim é. Ir ao Norte é sempre bonito, porque temos tanta coisa gira e diferente para ver e fazer.
O problema é ir e voltar!
A realidade é que ir de carro é caríssimo (desgaste do automóvel + combustível + portagens), e ir de avião é um completo contrassenso. Sim, temos o autocarro como alternativa mais acessível, mas isso nem entra nas minhas contas, graças ao meu 1m90. Ou seja, o comboio é quase sempre a opção mais equilibrada!
Pois bem, fui a um evento da Toyota no Porto para a apresentação nacional do C-HR+, e é… brutal. Ir de comboio é um completo descanso, especialmente se for numa carruagem de conforto no Alfa Pendular, onde se pode trabalhar e comer à vontade durante todo o percurso. Aliás, até temos Wi-Fi o caminho todo, que sim, tem algumas falhas, mas é ainda assim muito competente.
- Nota: As carruagens económicas também não ficam muito atrás! Há muita qualidade no serviço da CP (quando esta não está de greve).
Mas… é impossível não ficar com a ideia na cabeça de que podia ser tão melhor. Ou seja, se o investimento tivesse sido feito há vários anos, e não agora à pressa. Era um serviço que já tinha mudado por completo a forma como este pequeno Portugal funciona. Infelizmente, temos limitações que já não fazem sentido em 2026.
A viagem é boa. Apenas devia ser mais curta em 2026.
Vamos começar pelo positivo. O comboio continua a ser, de longe, uma das melhores formas de ir de Lisboa ao Porto. É confortável, é estável, dá para trabalhar, ver séries ou simplesmente relaxar. Não há trânsito, não há stress, não há nada.
Entras, sentas-te… e vais.
Mas há um problema… o tempo! Que se deve à infraestrutura ultrapassada em 2026.
A realidade é que a viagem ainda demora demasiado tempo para aquilo que devia ser uma ligação de referência. Estamos a falar de quase 3 horas no cenário atual. Pode descer para cerca de 2h30 com melhorias… mas mesmo assim, sabe a pouco.
Especialmente quando olhamos para o resto da Europa.
Lisboa-Porto devia ser uma ligação rápida, quase “natural”. Algo que se faz sem pensar. Mas ainda não estamos aí.
A linha está no limite! Por isso, até o melhor comboio está limitado.
Já existem muitas obras a acontecer, e muitas outras planeadas. Mas a realidade é que a atual Linha do Norte não dá para mais. É a principal linha ferroviária do país, com passageiros e mercadorias a disputar espaço todos os dias. Mais de 90% do tráfego de carga passa por ali.
Resultado? Está saturada.
Não há muito mais por onde otimizar. Já estamos a espremer tudo o que dá.
O Alfa Pendular tem uma velocidade máxima teórica elevada, mas em Portugal apenas consegue circular a um máximo de 220 km/h. Aliás, este máximo só aparece em menos de 30% do troço total da viagem entre Porto e Lisboa, porque a linha não dá para mais. Ainda mais grave que isto, a realidade é que há alguns anos o Alfa Pendular circulava a um máximo de 160 km/h, situação entretanto corrigida devido a obras e melhorias.
É aqui que entra a famosa Linha de Alta Velocidade?
A promessa é simples. Lisboa-Porto em cerca de 1h15 a 1h20, com comboios a 300 km/h.
Ou seja, menos de metade do tempo atual, com a entrada do TGV.
Isto significa uma viagem extremamente rápida, muito provavelmente ao preço do atual Alfa Pendular. Aliás, o Alfa vai continuar a circular, com velocidades mais altas, porque agora está extremamente limitado, e vai assim aparecer a preços mais em conta face ao TGV, oferecendo uma alternativa intermédia também ela bastante veloz.
Isto significa que vão existir várias alternativas para fazer Lisboa-Porto ou Porto-Lisboa, a preços diferentes e velocidades também elas diferentes. Na prática, muda completamente a forma como olhamos para o país.
Podes viver longe de Lisboa ou do Porto e chegar lá rapidíssimo, como se fosses pegar no carro para ir para o teu emprego do dia a dia.
Quando é que isto fica resolvido?
A execução da Linha de Alta Velocidade está finalmente em andamento. Agora é esperar. Até ao final da década vamos ver grandes melhorias, e ainda bem que assim é. O nosso Portugal merece que seja possível ir a todo o lado de forma simples, barata e rápida.
O problema é o de sempre. Tempo, dinheiro e execução.
No fim do dia, fica a “sensação”, mas a esperança que vai tudo melhorar. Com atraso, mas vai chegar.
Fiz Lisboa-Porto de comboio e gostei. Voltava a fazer sem pensar duas vezes.
Mas também é impossível não pensar no que podia ser. Porque quando tens uma capital e a segunda maior cidade ligadas por quase 300 km… 3 horas já não chega.









