LG G5: sucesso ou fracasso? Uma análise aos argumentos principais.


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A LG anunciou recentemente os seus resultados financeiros e as perdas monetárias foram avultadas, com muitos dedos apontados à incapacidade do LG G5 conquistar mercado. Mas lá porque todos apontam numa direcção, não significa que estejam a ver a coisa certa. A Leak tinha duas opções: papaguear as opiniões mediáticas e atacar a jugular, ou tentar perceber se o LG G5 é um falhanço ou não.

As principais características do LG G5

O LG G5 já será bastante conhecido dos nossos leitores, do anúncio do seu lançamento, à análise gentilmente republicada pelo Xá das 5. Trata-se de uma grande reformulação do tradicional flagship da LG, passando de um corpo em plástico para uma carenagem em metal que deu alguma polémica, até se perceber que de facto era em metal, revestido a micropartículas suspensas em resina para esconder e isolar as antenas.

O ecrã é uma unidade de 5.3 polegadas com resolução QHD (há poucos no mercado com esta resolução), com tecnologia always-on, e o dispositivo é motorizado por um Snapdragon 820 com 4GB de RAM. Interessante é a disposição traseira de câmaras duplas opticamente estabilizadas, com uma câmara principal de 16MP e uma de 8MP grande angular.

São características que tornam o LG G5 um dos mais poderosos smartphones do ano. Então porque dizem tantos que é um produto falhado?

Argumento 1: O LG G5 não vendeu unidades suficientes para dar lucro

Temos ouvido esta frase repetidamente desde o anúncio do smartphone, e nada é pior para um dispositivo do que ouvirmos que tem tido vendas muito fracas. Ninguém aposta no cavalo perdedor. Mas os números não nos dizem o mesmo:

O LG G5 chegou às lojas no dia 01 de Abril de 2016 na Coreia do Sul e, nas primeiras 24 horas de comercialização vendeu 15,000 unidades, ou 3 vezes a performance do excelente LG G4. As vendas foram tão volumosas que a LG colocou as suas unidades em funcionamento 24 sobre 24 horas.

O volume de vendas no primeiro mês atingiu as 1,6 milhões de unidades, com 8,000 unidades vendidas por dia só na Coreia. No entanto, as projecções de vendas no segundo trimestre davam 3 milhões de vendas, que ficaram na verdade perto dos 2,500 milhões, com a possibilidade do LG G5 não chegar a vender 10 milhões de unidades em 2016.

Mas o que é que isto tem que ver com os resultados financeiros da LG?

Pouco. O G5 iniciou as suas vendas em Abril, portanto os resultados financeiros da LG há cinco trimestres que ficam aquém do esperado. Os mais recentes relatórios remetem-se, portanto, aos primeiros três meses de venda do LG G5, e é óbvio que se o LG G5 tivesse vendido 5 milhões de unidades ou mais, seria um herói. Mas mesmo com performance dentro das expectativas, seria difícil qualquer telemóvel dar lucro nos três primeiros meses de venda. Por comparação, o popular LG G4 terá ficado algo atrás do G5 em vendas iniciais nos primeiros meses.

 A verdadeira pergunta deverá ser se o LG G5 teve impacto mais acentuado nas contas da LG que o LG G4, mas isso não podemos saber.

Argumento 2: Os módulos friends deveriam simplesmente vir de raiz

O horror: uma bateria amovível que se substitui em 10 segundos!
O horror: uma bateria amovível que se substitui em 10 segundos!

Não há volta a dar: o LG G5 é revolucionário com o seu desenho modular que nos permite acrescentar funcionalidades e adaptá-lo a necessidades específicas e pontuais. Até à chegada do Moto Z, mais nenhum dispositivo tinha estas capacidades. Claro que a opção não é perfeita e ninguém gostaria de ter de desligar o telemóvel para mudar um módulo.

No entanto, o que mais se ouve é que a LG deveria simplesmente ter incorporado as funcionalidades friends no dispositivo, em vez de pedir dinheiro por elas.

Pensemos deste modo: o LG G5 é o primeiro smartphone de topo de gama em muitos anos a dar-nos uma bateria amovível. A oferecida tem “apenas” 2800mAh? É certo, mas podemos andar com o equivalente a 5600mAh no bolso, e a bateria é do tamanho de uma caixa de chicletes. Podemos removê-la e encaixar a nova, reiniciar o smartphone e bombar em menos de 20 segundos. Existe algum powerbank que nos dê 2800mAh em 20 segundos e ocupe o mesmo espaço? Não.

Muitos não se importariam nada de ter menos 200mAh em troca de poderem trocar a bateria.

Mas entendamos uma coisa: ninguém (nem a LG) nos obriga a comprar nenhum dos módulos. Mesmo sem aquela coisa fantástica que é o módulo Hi-Fi Bang & Olufsen, o LG G5 oferece-nos áudio Hi-Fi 24bit/192kHz, o mesmo que oferecem alguns dos melhores players de mp3 no mercado e cujo preço ultrapassa os €200. O responsável por isto é o chip de áudio WCD9335 incluído no Snapdragon 820.

Mas se isto não vos chegar, então podemos comprar o módulo B&O e meter os melhores auriculares naquele jack. Só um surdo não perceberá a diferença. Não vejam o módulo B&O como um “módulo”. Vejam-no como um leitor de mp3 puro que é apenas som, e precisa de um ecrã externo para poderem ver o que estão a fazer. Este tipo de hardware não se encontra em smartphones. Seriamente, a B&O nem está a ser particularmente simpática para a LG. Qualquer smartphone com OTG (e USB-C) pode usar o módulo.

Se quiséssemos ter tudo isto num dispositivo, estaríamos a pagar bem acima de €800. Não podemos simplesmente ter melhor som, melhor imagem, melhor bateria e um smartphone mais fino, tudo ao mesmo tempo. A LG apenas nos diz: este é o nosso preço, mas se ainda quiserem ir mais longe, têm esta hipótese. Quantos smartphones oferecem esta possibilidade neste preço?

Argumento 3: O LG G 5 não tem carregamento wireless

Há algum interesse em carregamento wireless quando a bateria é perfeitamente amovível e temos carregamento rápido através de uma porta USB-C? Temos um cabo USB para isso, e ninguém poderá acusar a LG de ainda ser preciso um módulo de carregamento para tirar partido da funcionalidade wireless, certo?

A possibilidade de carregarmos rapidamente a bateria com um cabo é atraente, e como podemos usar a segunda bateria para carregamento de outros dispositivos, nunca vamos deixar ficar mal o nosso outro smartphone que não se aguenta nas canetas.

Argumento 4: o design do LG G5 não é apelativo

Que excelente controlo sobre a câmara... mas alguém quereria um telemóvel com aquela excrecência se fosse inamovível?
Que excelente controlo sobre a câmara… mas alguém quereria um telemóvel com aquela excrecência se fosse inamovível?

Tudo quanto é estético é uma questão de gosto, por isso aqui não podemos ser absolutamente fundamentalistas. O módulo duplo  é algo ciclópico, mas quem realmente pensa que o LG G5 não tem um design atraente, talvez nunca o tenha tido na mão. Não podemos afirmá-lo com toda a certeza, mas é a nossa opinião.

Pensamos isto porque as fotografias e o dispositivo que temos aqui ao nosso lado são duas coisas completamente diferentes. Nenhuma captura a curvatura muito suave que temos no topo do ecrã, nem adequadamente o friso cromado fino ao longo do perímetro. Muito menos a discreta mudança de espessura das laterais em direcção às extremidades. O LG G5 simplesmente não será particularmente fotogénico, mas tem bastante riqueza de linhas com uma abordagem absolutamente minimalista e industrial.

Claro que tudo é relativo. De nossa parte diremos que o argumento é um empate entre o sim e o não.

Mas dito isto, o LG G5 parece ter falhado em ser o ponto de viragem para a LG

hoje vou trabalhar, se calhar levo bateria extra. Hoje vou passear, se calhar levo a câmara? Que triste ter opção.
Hoje vou trabalhar, se calhar levo bateria extra. Hoje vou passear, se calhar levo a câmara?
Que triste ter opção.

Isto se acreditarmos no que diz a maioria dos nossos colegas, atribuindo à LG declarações quanto ao LG ter desiludido. Aqui continuamos a não acreditar que o problema se encontre no G5, mas na própria esperança que a LG tinha no dispositivo.

Um smartphone pode ser uma revolução ou um recorde de vendas, raramente as duas coisas ao mesmo tempo. Temos certeza que se o LG G5 fosse simplesmente um smartphone, poderia ter vendido mais. A modularidade que o torna diferente, não é atraente para muitas pessoas e, por isso, para quê comprar um smartphone que se pode desmontar, quando não tencionamos fazê-lo?

Por isso, o LG G5 é uma invejável vitória de inovação e reinterpretação de quão adaptável um smartphone pode ser, mas como muitas grandes revoluções tecnológicas, o que introduz não vai obrigatoriamente conquistar o mercado mainstream. Nunca pensamos deste lado que o LG G5 era o smartphone com que a LG queria atacar as vendas em massa.

E a LG não está isenta

Este ano, em Setembro, quase inquestionavelmente durante a IFA de Berlim, a LG vai anunciar o sucessor do LG V10. Chame-se V11 ou V20, a LG percebeu que a chegada ao mercado não é uma questão a negligenciar. O LG G5 chegou ao mercado quase um mês após o Samsung Galaxy S7 e, com um adversário tão excepcional, não se brinca e, acima de tudo, não se deixa a concorrência agir sem oposição durante tanto tempo.

Conclusão

Parece-nos neste momento extremamente difícil ver o LG G5 como um falhanço de vendas, visto que superou já as vendas do LG G4. Não vendeu se calhar tanto quanto a LG queria ou precisava, mas isso é outra história.

Do lado do desenho modular, a questão tem sido amplamente discutida. Os módulos acrescentam interessantes funcionalidades, mas o LG G5 não depende deles para ser um excelente smartphone, por isso a ideia de que a LG está a cobrar-nos uma pipa de massa por funcionalidades que deveríamos ter de raiz não tem uma base de apoio.

Deste lado não podemos ver o LG G5 como tendo falhado. Que a tantos o digam não o torna necessariamente verdade à luz dos factos. E vamos esmiuçar esses factos durante as próximas semanas, podem ter certeza disso. Estejam atentos à Leak, à Leak Foto e Leak Gadgets.

O que pensam os nossos leitores?

 

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