Chegou o calor e a cena repete-se: mergulhas na piscina, apanhas uma onda na praia ou metes-te no jacuzzi do hotel tudo com o Apple Watch ou o Galaxy Watch no pulso, sem pensar duas vezes. Afinal, são à prova de água, certo? Mais ou menos. E é precisamente esse “mais ou menos” que faz com que todos os verões apareçam relógios estragados que, no papel, deviam ter aguentado. Então é má ideia levar o smartwatch para a piscina e para a praia?
Levar o smartwatch para a piscina e para a praia? Boa ou má ideia?
Vamos por partes. A maioria dos smartwatches que andam por aí hoje aguenta bem um banho de mar ou umas braçadas na piscina. Um Apple Watch (da Series 2 à Series 11, incluindo os SE) tem resistência de 50 metros, a chamada WR50, certificada pela norma ISO 22810. Os Galaxy Watch normais, o Watch 7, o FE e companhia, andam pelos 5 ATM mais IP68, que dá sensivelmente para o mesmo: nadar à superfície, apanhar chuva, tomar duche. Para o uso normal de verão, estás coberto.
O problema começa quando interpretas mal os números. Aquele “50 metros” não quer dizer que podes mergulhar 50 metros. Os fabricantes testam o relógio em água parada, em laboratório, com uma pressão estática equivalente a essa profundidade. Quando estás a nadar, a água não está parada. Ou seja, cada braçada cria pressão extra e turbulência que podem ultrapassar facilmente aquilo para que o relógio foi testado. Por isso é que mergulhar de cabeça da borda da piscina, fazer esqui aquático, jet ski ou apanhar ondas com força são precisamente as atividades que mais arriscam meter água lá dentro. A própria Samsung desaconselha o Galaxy Watch nestas situações de água em alta velocidade.
Depois há o inimigo silencioso: o sal e o cloro
As certificações IP68 são feitas com água doce. Ou seja, o teu relógio foi garantido para água da torneira, não para o mar salgado nem para a piscina cheia de cloro. Não quer dizer que se estrague logo, mas o sal e os químicos corroem os selos e a caixa com o tempo. A regra de ouro, que vale para qualquer marca: depois do mar ou da piscina, passa o relógio por água doce e seca-o bem com um pano. Este gesto de dez segundos é o que faz a diferença entre um relógio que dura anos e um que começa a falhar.
E aqui vem o detalhe que quase ninguém sabe: a resistência à água não é para sempre. Vai-se degradando com o uso normal, e há coisas que aceleram o processo como sabão, gel de banho, protetor solar, perfumes, e sobretudo o calor. Duches quentes, saunas e jacuzzis são dos piores cenários, porque o vapor e a temperatura alta dilatam os selos. Aquele relógio de três anos que “sempre aguentou” pode já não aguentar como aguentava.
Quem leva isto a sério a sério são os modelos topo de gama
O Apple Watch Ultra (e o Galaxy Watch Ultra, da Samsung) sobem para os 100 metros de resistência. O Apple Watch Ultra vai mais longe e tem a certificação EN13319, a mesma das equipas de mergulho, o que o torna o único Apple Watch oficialmente válido para mergulho recreativo até 40 metros. O Galaxy Watch Ultra aguenta os 100 metros e está certificado para o mar, mas a Samsung continua a dizer que não é um computador de mergulho. Para nadar e ir à praia, qualquer um deles é exagero, mas se fazes desportos aquáticos a sério, é aí que faz sentido.
Um último aviso que passa despercebido: a bracelete também conta. Couro e metal não são à prova de água. Se vais para o mar, usa uma bracelete de silicone ou borracha, ou arriscas estragar a pulseira mesmo que o relógio sobreviva.
Resumindo: piscina e praia, sem drama, com a maioria dos relógios atuais. Mergulhos, saltos, água quente e anos de uso sem cuidado é que são outra conversa. Passa por água doce no fim e o teu relógio agradece.






