Ao volante do Leapmotor B10: Os chineses vieram para ficar, isso é inegável. E de facto, esta marca está a ser uma das melhores a jogar o “jogo”. Até porque decidiu jogar em mais do que um campo ao mesmo tempo.
Ora bem, qual é a estratégia da Leapmotor? É muito simples! Lançar uma gama de automóveis completa, com um enorme foco na qualidade-preço, com alternativas puramente elétricas e, claro, outras um pouco diferentes para ajudar na transição para as baterias.
De facto, esta nem é a primeira vez que me sento ao volante do B10. Já fiz um ensaio de 5 dias com ele, onde até fiquei bastante agradado com a proposta 100% elétrica da marca chinesa. Mas, no fim do dia, carros 100% elétricos não dão para todos os tipos de consumidor.
Por isso, a Leapmotor também anda a apostar em motorizações REEV.
REEV: O que é isto?

No fundo, é uma motorização um bocadinho parecida às bem conhecidas motorizações PHEV (Plug-In). Tens uma bateria de grandes dimensões (mas bastante mais pequena face às versões 100% elétricas), bem como um motor a combustão.
Mas, enquanto no PHEV temos de gerir a bateria para conseguir a melhor performance e economia, e quando esta termina andas só a gasolina, o que por sua vez significa que andas com uma bateria de mais ou menos 200 kg só a ocupar espaço, aqui é diferente. Ou seja, quando a bateria começa a chegar a níveis mais baixos, o motor a combustão funciona como um gerador para lhe dar mais energia. Isto significa que num REEV andas sempre de forma 100% elétrica, onde o motor a gasolina serve apenas para dar mais “sumo” à bateria.
Não é melhor nem pior! É uma solução diferente que pode vir a encaixar melhor na vida de alguns condutores. Especialmente daqueles que não podem, de maneira alguma, carregar o carro em casa (ou no trabalho).
Agora, se o carro é bom? Vamos tentar perceber.
Leapmotor B10: 1000 km num elétrico com gerador

Conheces bem o B10? É um SUV 100% elétrico apoiado pela rede da Stellantis que aterra em solo nacional com uma folha de especificações de luxo e um preço muito interessante.
Estamos a falar de um carro de 4,52 metros de comprimento, tração traseira, 218 cv de potência, até 434 km de autonomia WLTP e uma lista de extras recheada até ao teto por valores que arrancam nos 29.285 euros! Aliás, por pouco mais de 30 mil euros compras uma versão de topo que deixa concorrentes alemães ou franceses a parecerem autênticos assaltos à mão armada!
Mas não é desse carro que vamos falar hoje. Hoje é dia de falar da versão REEV.

Ou seja, a gama B10 tem agora uma alternativa com 900 km de autonomia. Isto porque a versão B10 REEV Hybrid usa o motor a combustão como gerador e tem como objetivo carregar a bateria sempre que é necessário.
- Nota: Um automóvel que tivemos a oportunidade de testar numa viagem Lisboa – Porto – Braga (e o percurso inverso) nos últimos 2 dias.
Ser híbrido, neste caso, significa que as baterias de 18,8 kWh permitem fazer 86 km sem recorrer ao motor a gasolina. E, claro, a propulsão é sempre feita pelo motor elétrico, como expliquei em cima.

Qual é a grande vantagem? Simples! Fazes as tuas deslocações diárias de casa para o trabalho em modo puramente elétrico sem gastar uma gota de combustível e, quando queres ir de Braga ao Algarve sem planear paragens em postos da Mobi.e, o depósito de gasolina entra em ação para te dar mais de 900 quilómetros de autonomia total! E tudo isto a arrancar na casa dos 29 mil euros!
É uma solução técnica que muitos construtores europeus teimaram em ignorar ao longo dos anos, mas que para o mundo real e para a carteira de quem quer fugir aos preços absurdos dos combustíveis sem ficar escravo da tomada começa a fazer algum sentido.

Como funciona a motorização? As rodas traseiras são sempre e unicamente movidas pelo motor elétrico de 158 kW (cerca de 215 cv a 218 cv) com 240 Nm de binário imediato. Isto significa que tens sempre a aceleração suave, silenciosa e sem passagens de caixa típica de um elétrico puro. Além disso, e como já dissemos em cima, o carro vem equipado com um pack de bateria com tecnologia LFP de 18,8 kWh, capaz de entregar entre 80 a 86 km de autonomia puramente elétrica em ciclo WLTP.
Para a maioria das pessoas que faz 30 ou 40 quilómetros diários entre casa, escola dos filhos e emprego, a rotina faz-se sem queimar um único decilitro de gasolina.
Motor a gasolina? Sim, à frente, onde normalmente estaria um bloco convencional a puxar o carro, está um motor de quatro cilindros que funciona apenas como gerador elétrico. Ele nunca puxa as rodas! Limita-se a produzir eletricidade para alimentar a bateria e o motor elétrico traseiro quando a carga baixa dos limites de segurança.
Ao volante: Conforto de elétrico sem o peso excessivo
Uma das grandes vantagens mecânicas desta versão REEV face aos elétricos convencionais com baterias gigantescas de 70 ou 80 kWh é o peso. Ou seja, ao usar uma bateria mais contida de 18,8 kWh, o B10 não precisa de carregar centenas de quilos de células de lítio no piso, o que se traduz num comportamento dinâmico muito mais equilibrado.

Por isso, em estrada, o B10 despacha o arranque dos 0 aos 100 km/h em cerca de 7,5 a 8 segundos.
Não é um foguete para colar a cabeça ao encosto nem tenta fingir que é um desportivo de pista. Ainda assim, entrega a dose certa de força para garantir ultrapassagens seguras e recuperações imediatas em qualquer cenário.
Depois, a suspensão, afinada no centro técnico de Balocco em Itália através da parceria com a Stellantis, privilegia o conforto familiar. Talvez até privilegie demasiado. Mas isso significa que engole os buracos crónicos das estradas portuguesas, passa por lombas sem sacudir os passageiros e mantém um silêncio a bordo fantástico.
Entretanto, quando o motor térmico acorda para gerar eletricidade em andamento, o isolamento acústico faz um trabalho notável. Isto porque a rotação é mantida constante e suave, longe daquele barulho horrível e estridente das transmissões CVT de outros modelos híbridos.
Interior super simples e cheio de tecnologia. Porém, há pequenas manias no software
Por dentro, o B10 REEV replica o mesmo ambiente futurista e minimalista que já conhecemos do modelo elétrico. O grande destaque vai para o ecrã central flutuante de 14,6 polegadas, acompanhado por um painel de instrumentos digital limpo e funcional com integração para Apple CarPlay e Android Auto.
O espaço traseiro é formidável graças à plataforma dedicada com 2,73 metros de distância entre eixos, permitindo viajar com três adultos atrás sem que os joelhos fiquem colados aos bancos dianteiros. Porém, a bagageira perdeu um ligeiro volume para acomodar a mecânica híbrida, ficando na fasquia dos 330 a 400 litros úteis. Ainda assim, continua a responder perfeitamente às exigências de um casal com filhos.
O reparo negativo vai, mais uma vez, para a mania contemporânea de retirar botões físicos. Controlar o ar condicionado ou mexer no teto de abrir panorâmico obriga a navegar por menus no ecrã tátil. Mas, e isto é um grande mas, temos vários atalhos úteis no software. Algo que nem sempre existe nestes novos carros focadíssimos em ecrãs.
Preço de combate?
O ponto fulcral de toda esta equação é, como sempre, a conta bancária. As marcas europeias continuam a pedir 40 ou 45 mil euros por carrinhas ou SUVs híbridos plug-in. Aqui, a história é diferente, até porque apesar do seu nome com um “B”, este B10 é um automóvel do segmento C.
Ou seja, a Leapmotor entra no mercado com o B10 REEV a bater na casa dos 28 mil a 32 mil euros, dependendo do nível de acabamento. Ter um SUV espaçoso, com tração traseira, quase 220 cv, condução 100% elétrica para a cidade e a garantia de poder meter gasolina para andar 900 quilómetros seguidos de férias por este valor é obviamente muito interessante.
Junta-se a isso a segurança de ter o apoio oficial de oficinas, garantias e peças gerido pelas concessões da Stellantis em Portugal, e temos aqui um dos produtos mais perigosos e inteligentes que o mercado automóvel recebeu nos últimos tempos.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que esta solução REEV com motor elétrico e gerador a gasolina é o compromisso perfeito para a realidade das estradas e postos de Portugal? Ou continuas a preferir arriscar no modelo cem por cento elétrico?







