Quem acompanha o mercado automóvel, nomedamente a transição energética, sabe perfeitamente que a conversa dos carros elétricos em Portugal anda sempre à volta das mesmas dores de cabeça. Ou é o preço absurdo dos carros novos, ou é a nossa famosa rede Mobi.E que teima em deixar os condutores pendurados com postos fora de serviço ou velocidades de carregar que são uma piada.
Mas, enquanto as fabricantes europeias andam perdidas a tentar enfiar baterias gigantes e pesadas nos carros, a China decidiu deixar de apostar tudo nas baterias, para tentar encontrar o equilíbrio perfeito com uma tecnologia que está a explodir no mercado asiático: os EREVs (Veículos Elétricos com Extensão de Autonomia).
Dito tudo isto, apesar do nome pomposo, o conceito é simples e resolve de uma assentada a maior preocupação que os elétricos puros trazem para cima da mesa dos condutores. Basicamente, estamos a falar de um carro que é 100% movido a eletricidade, mas que traz lá dentro um pequeno motor a gasolina que funciona única e exclusivamente como um gerador de emergência para carregar a bateria enquanto andas.
Assim, ao contrário dos híbridos tradicionais a que estamos habituados (onde o motor a combustão está ligado às rodas), aqui quem manda é sempre o motor elétrico.
A receita contra a ansiedade da autonomia? Autonomias a bater nos 1000 km!
A grande razão para marcas como a Li Auto ou a AITO estarem a vender estes carros que nem pãezinhos quentes na China, e de outras marcas estarem a apostar neste tipo de motorização por cá (Exemplo: BYD com a motorização DM-i), assenta em três pilares que podem assentar que nem uma luva à realidade de muitos portugueses:
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1. Adeus à ansiedade de ficar a pé:
- Imagina quereres fazer uma viagem de Lisboa até Bragança, ou do Porto até ao Algarve, sem teres de planear as paragens com base nos carregadores que estão ou não a funcionar na autoestrada. Com autonomias combinadas que ultrapassam facilmente os 1000 km, os EREVs dão-te a experiência de condução silenciosa e o arranque imediato de um elétrico na cidade. Porém, com a paz de espírito de poderes meter gasolina num posto qualquer se a bateria acabar.
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2. Baterias mais pequenas? Significa preços mais baixos:
- Como o carro traz o seu próprio gerador a bordo, não precisa de uma bateria gigante de 80 ou 100 kWh para garantir autonomia. Ao usar baterias mais pequenas, o custo de produção desce drasticamente. E tu sabes o que é que isso significa: carros muito mais baratos para o consumidor final! Atacando diretamente aquela barreira dos 20 ou 30 mil euros que afasta a maioria dos portugueses dos elétricos puros.
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3. O carro único da família:
- Em Portugal, a esmagadora maioria das famílias só se pode dar ao luxo de ter um carro em casa. Apostar tudo num elétrico puro quando não se tem garagem para carregar à noite é uma dor de cabeça que poucos querem enfrentar. O EREV acaba por ser o camaleão perfeito para este cenário. Fazes as voltas do dia a dia em modo 100% elétrico. E guardas o gerador para as viagens de férias e fins de semana.
A Europa continua a não achar grande sentido nisto.
As marcas europeias decidiram apostar as fichas todas nos híbridos plug-in tradicionais (que são complexos, pesados e gastam imenso quando a bateria acaba). Ou então, preferem saltar diretamente para os elétricos puros.
A China percebeu que a transição não se faz por decreto e que o consumidor quer praticidade. De facto, segundo as marcas em Portugal, este tipo de motorização está a ser um sucesso como muitos não esperavam.
A aceitação deste formato é tão brutal que até alguns construtores ocidentais já começam a abrir os olhos. Ou seja, já andam a desenhar os seus próprios modelos com extensão de autonomia para tentar travar a razia chinesa.
A questão agora, tu por aí, verias com bons olhos a chegada em massa destes elétricos com gerador a gasolina a Portugal? Isto de forma a esquecer de vez os problemas com os carregadores públicos. Ou achas que o futuro tem de ser obrigatoriamente elétrico puro e sem pinga de combustível?





