A caça ao homem contra o IPTV ilegal e o streaming pirata na Europa está prestes a entrar numa fase completamente radical. O que é absolutamente normal e natural. O IPTV está a crescer a um ritmo completamente absurdo, e como tal, é preciso proteger quem de facto investe o dinheiro nos direitos de transmissão.
Sim, ver futebol está caríssimo, e é exatamente por isso que os consumidores procuram por alternativas mais amigas da conta bancária. Isso é um problema, e acredito que se os serviços fossem melhores, mais modernos, mais adaptados à realidade, a pirataria seria um problema menor. Mas, no fim do dia… IPTV Pirata é ilegal e “rouba” muito dinheiro à indústria e aos governos (em impostos não recolhidos).
Por isso, depois de anos de reuniões, recomendações que ninguém cumpre e bloqueios de sites que duram exatamente cinco minutos até aparecer um endereço alternativo, foi apresentado ao Parlamento Europeu um estudo que exige medidas draconianas… Legislação obrigatória para derrubar qualquer emissão pirata no prazo máximo de 30 minutos.
Bloquear a Cloudflare, VPNs e DNS: É ir ao extremo!

Caso não saibas, até aqui, a responsabilidade de bloquear estes links caía quase exclusivamente em cima dos operadores de telecomunicações (como a MEO, NOS e Vodafone por cá).
Pois bem, a nova proposta europeia quer obrigar toda a gente da infraestrutura digital a servir de polícia! Ou seja, fornecedores de redes CDN como a Cloudflare, servidores de alojamento, serviços de DNS e até as próprias empresas de VPN vão ser forçadas a cortar o sinal em tempo real.
Isto inspira-se no desastre que tem sido o sistema “Piracy Shield” em Itália. O problema de atirar com uma rede de pesca tão grande em meia hora é o chamado “dano colateral”. De facto, em Espanha, quando tentaram fazer coisas parecidas, acabaram por deitar abaixo sites legítimos de organizações humanitárias, lojas online e serviços de cloud de empresas que não tinham rigorosamente nada a ver com futebol pirata.
Conclusão
Curiosamente, há um parágrafo no próprio relatório europeu que reconhece aquilo que ando a dizer há anos na Leak. Podes meter os bloqueios técnicos que quiseres, criar entidades reguladoras novas e ameaçar com coimas ou até pena de prisão. Mas, enquanto o consumidor tiver de pagar três ou quatro subscrições diferentes que juntas custam uma fortuna por mês só para ver os jogos da sua equipa, a pirataria nunca vai morrer.
O IPTV ilegal não floresce apenas porque as pessoas gostam de “roubar”. Floresce porque o modelo de negócio do futebol e das plataformas de streaming se tornou ganancioso, ultrapassado e profundamente insustentável para a carteira de qualquer português.
Por isso, enquanto não tornarem as transmissões acessíveis, simples e concentradas num único sítio a um preço justo, vão continuar a jogar ao gato e ao rato para o resto da vida.







