Pirataria sempre existiu. Esta é uma verdade inegável e até bastante curiosa. Eu lembro-me perfeitamente dos meus tempos mais jovens, a “sacar” tudo e mais alguma coisa a partir do eMule, BTuga, Pirate Bay, etc… Gravar jogos, filmes, séries em DVDs comprados avulso em qualquer loja de esquina, dar ou emprestar a amigos/colegas. Eram mesmo outros tempos.
Mas naquela altura não era qualquer pessoa que se metia nisso. O que acaba por ser muito curioso, visto que hoje em dia existe mais medo à volta dos potenciais perigos. Ainda assim, até o “velhote” de 60 anos entra no mundo da pirataria para ver o seu clube de futebol favorito.
Porquê? Muito simples. É impossível para muito boa gente pagar os valores que as plataformas oficiais pedem.
Sim, há muito boa gente que iria sempre piratear, porque é contra o sistema, não quer gastar dinheiro, etc… Mas a popularização da pirataria nos tempos que correm não vem dessas pessoas. Vem de quem, pura e simplesmente, não quer nem pode pagar os preços atuais.
IPTV Pirata mostra a evolução do mercado! Já tinhas reparado?

Portanto, hoje em dia ninguém falar disso, mas, ser “pirata” dava um trabalho desgraçado no passado.
Era preciso sacar torrents manhosos durante a noite inteira, rezar para que o ficheiro não viesse carregado de vírus e andar a descarregar legendas dessincronizadas para conseguir ver um filme no fim de semana. Pois bem, esse tempo já lá vai.
Sim, quando a Netflix e o Spotify apareceram com preços decentes, a malta até pensou que a pirataria ia morrer de vez por falta de comparência. E de facto, deve ter sido a altura em que mais pessoas deixaram de lado o chapéu de pirata. Mas a verdade é que os criminosos foram mais espertos do que a indústria e reinventaram o negócio! Por isso, hoje tudo dá pelo nome de IPTV pirata.
Como é que o IPTV mudou o jogo?

Simples. Pegou numa tecnologia já muito conhecida e pediu muito pouco dinheiro por um serviço de excelência.
O que quero dizer com isto? O IPTV por si só não é ilegal. De facto, todas as operadoras em Portugal metem TV na tua sala a partir desta tecnologia. IPTV não é mais que TV pela Internet. Por isso, os “piratas” pegaram na tecnologia que toda a gente já conhecia da NOS, MEO e Vodafone, e ofereceram tudo por tuta-e-meia.
Algo extremamente curioso, porque pelo menos no meu tempo a pirataria não era paga. Tu podias sacar todas as séries, filmes, jogos e álbuns, apenas e só porque alguém partilhava, e a comunidade apoiava tudo.
Agora? A pirataria é um negócio, e de facto é um negócio que movimenta muitos milhões todos os anos. Aliás, fica até a ideia de que existe interesse para que este novo negócio paralelo não deixe de existir.
A culpa é só dos preços altos?
De facto não é.
A culpa é também dos serviços que continuam iguais há vários anos, e por vezes pedem mais dinheiro por menos conteúdo.
O que antigamente era reinado pela Netflix, hoje em dia está dividido por uma mão cheia de plataformas de streaming, todas elas com os seus próprios planos de subscrição. Além disso, no mundo do desporto premium, nomeadamente do futebol, os canais continuam presos a moldes de subscrição com demasiadas exigências.
A Sport TV em Portugal apenas está disponível a partir de contratos com uma operadora, não existem moldes de compra jogo-a-jogo, e os preços são um autêntico absurdo. Aliás, para ver todos os jogos de futebol em Portugal, não podes subscrever apenas e só um canal. Tens de subscrever 3. E 2 deles até pertencem ao mesmo dono (BTV e Sport TV).
Ou seja, no fim do dia não é uma história de roubo. É, acima de tudo, uma comunidade que se virou contra o sistema.
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