Ao longo dos últimos anos, começou a enraizar-se a ideia de que o uso de uma VPN era o remédio santo para todos os males. Especialmente no lado da pirataria e do consumo multimédia à margem da lei, e de certa forma até é verdade. Afinal, ajuda bastante em certos contextos, esconde a origem do tráfego e salta por cima de bloqueios de DNS elementares.
Mas a outra face da moeda é raramente falada. A VPN também acaba por ser um peso monumental em cima da tua rede noutros cenários, criando mais problemas do que aqueles que resolve.
Isto porque, as operadoras de telecomunicações fazem-se de parvas e assobiam para o lado, mas elas sabem muito bem o que andas a fazer com ou sem VPN. E agora há um fenómeno curioso a acontecer, e é de facto cada vez mais comum… Ligar a VPN está a dar cabo de listas de IPTV e a encravar por completo os add-ons do Stremio.
IPTV e Stremio: VPN para a pirataria de conteúdos? Nem sempre!

A crença popular dita que ligar a VPN e escolher um servidor na Alemanha ou na Islândia transforma a ligação numa fortaleza impenetrável. Na teoria é bonito, mas na prática a arquitetura da internet funciona com regras bem mais chatas.
Os servidores das VPNs comerciais mais conhecidas partilham os mesmos endereços IP por centenas, às vezes milhares, de utilizadores em simultâneo. E é aqui que as coisas começam a correr mal.
Primeiro, no caso do IPTV!

Muitos dos próprios fornecedores de listas piratas bloqueiam ativamente gamas de IP associadas a centros de dados de VPNs. Fazem-no por motivos simples. Segurança interna contra ataques de negação de serviço (DDoS) e para evitar que uma única conta seja partilhada clandestinamente entre dez amigos através do mesmo IP de saída da VPN.
O utilizador liga a VPN a pensar que se está a proteger da operadora e o que recebe em troca é um ecrã preto porque o próprio servidor de streaming lhe bateu com a porta no nariz.
Segundo, o pesadelo no Stremio!

Quem usa a aplicação com add-ons comunitários (como Torrentio) ou serviços de download na nuvem (como Real-Debrid) já deve ter reparado em falhas bizarras, fontes que não carregam ou erros permanentes de ligação.
O motivo é técnico e tem duas frentes:
- Bloqueio de proteção da Cloudflare e endpoints: Grande parte dos add-ons do Stremio corre atrás de proxies de proteção contra abusos. Quando o sistema deteta uma enxurrada de pedidos a sair do mesmo IP público da VPN, assume que é tráfego malicioso e corta o acesso aos metadados, deixando a aplicação a carregar até ao infinito.
- Incompatibilidade com Debrid: Serviços como o Real-Debrid monitorizam os acessos e têm listas rígidas de VPNs cooperantes. Se o IP do servidor que calhaste apanhar na VPN não for aprovado por eles, a conta pode ser suspensa ou a ligação é pura e simplesmente barrada para impedir abusos de largura de banda.
Além de tudo isto, meter uma camada de encriptação pesada a meio do caminho aumenta a latência, rebenta com a estabilidade de transmissões em direto em 4K e introduz conflitos de DNS que deixam qualquer um a arrancar cabelos.
Depois, temos ainda as operadoras a fazer mudanças nas redes, que parecem meter o VPN em xeque em várias apps populares de pirataria. Em Portugal isto costuma acontecer muito com a MEO, por razões ainda desconhecidas.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Usas VPN por hábito para ver IPTV ou usar o Stremio, ou já começaste a notar que a ligação corre muito melhor quando deixas o tráfego seguir direto?








