Com o preço das subscrições de streaming e dos canais desportivos a bater no teto, não é segredo para ninguém que o uso de aplicações de IPTV e transmissões alternativas se transformou num desporto global. Isto é especialmente verdade em Portugal, onde o ordenado fica muito aquém do custo de vida.
Ou seja, muito boa gente procura listas e aplicações para ver televisão no telemóvel ou na box Android da sala sem pagar as fortunas que as operadoras exigem. O problema é que, onde há milhões de utilizadores à procura de poupar uns trocos, há também pessoas mal intencionadas prontas a montar a ratoeira perfeita.
Mais concretamente, foi descoberto um novo malware altamente perigoso (Perseus). Que se faz passar por uma aplicação vulgar de IPTV para infetar dispositivos Android. É uma forma muito inteligente de entrar no mercado, porque a caça ao IPTV pirata anda a remover várias apps legítimas das lojas oficiais, e como tal, os consumidores chegam ao ponto de carregar em tudo para conseguir seguir os guias das plataformas.
IPTV com APK gratuito: Como funciona o golpe?

O método de ataque aproveita-se do hábito mais comum de quem consome este tipo de serviços. Ou seja, descarregar e instalar ficheiros APK diretamente da internet ou de grupos do Telegram, contornando a proteção e a verificação da Google Play Store.
A vítima saca o ficheiro a pensar que está a instalar um reprodutor multimédia gratuito e com canais abertos. No arranque, a coisa até pode funcionar bem. Mas, a aplicação funciona como uma espécie de “cavalo de Troia”! Descarrega um componente inicial que contorna as defesas do sistema operativo e, logo a seguir, ativa o vírus principal em segundo plano sem levantar a mínima suspeita.
E depois vem o problema a sério.
Assim que ganha raízes no sistema, o malware começa a operar com um nível de sofisticação assustador.
O grande trunfo dos criminosos passa por abusar dos serviços de acessibilidade do Android. Uma ferramenta legítima do sistema desenhada para ajudar pessoas com limitações motoras ou visuais. Mas, que na mão errada permite simular toques no ecrã, ler tudo o que está escrito e executar comandos remotamente.
- Sobreposição bancária: Sempre que abres a aplicação do teu banco (como a app da CGD, Santander, Millennium, MB WAY ou Revolut), o vírus desenha uma tela falsa milimetricamente idêntica por cima da original para capturar o teu código PIN, palavras-passe e dados de cartões de crédito.
- Espionagem no bloco de notas: O vírus vasculha automaticamente as tuas aplicações de notas à procura de credenciais, apontamentos com códigos ou dados confidenciais guardados à pressa.
O barato que pode sair muito caro…
Não há milagres na internet! Quando uma aplicação promete dar-te todos os canais do mundo a custo zero através de um link manhoso num fórum ou rede social, o produto és tu.
Por isso, se usas um telemóvel Android onde tens a tua vida financeira, emails e dados pessoais configurados, andar a instalar APKs de origens duvidosas é o equivalente a deixar a porta de casa aberta. Aliás, podemos até dizer escancarada.
Se instalaste recentemente alguma app deste género fora da loja oficial e notaste lentidão no telemóvel ou pedidos estranhos de permissões de acessibilidade… Desinstala-a de imediato! Além disso, corre uma verificação com o Google Play Protect (ou um antivírus conceituado). Por fim, muda com urgência as credenciais dos teus acessos bancários noutro dispositivo seguro.







