Se estás habituado a ver um aviso de trovoada e a pensar apenas em relâmpagos, é melhor atualizares essa ideia. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) reviu os critérios dos avisos de trovoada, e agora a cor do alerta passou a dizer-te muito mais do que antes. Com a época de instabilidade a chegar, vale a pena perceberes o que mudou, porque pode fazer a diferença entre ficares em casa em segurança ou seres apanhado de surpresa.
O que mudou nos avisos de trovoada
Até agora, a cor de um aviso de trovoada baseava-se sobretudo na frequência e na distribuição das descargas elétricas, ou seja, na quantidade de relâmpagos esperada. O problema é que uma trovoada raramente vem sozinha. Assim costuma trazer chuva muito intensa, granizo e rajadas de vento fortes, que muitas vezes são mais perigosos do que os próprios relâmpagos.

Foi isso que o IPMA corrigiu. Os novos critérios cruzam a informação sobre as descargas elétricas com a intensidade desses outros fenómenos e o seu potencial de impacto. Na prática, a cor do aviso passou a refletir o perigo real que podes enfrentar no terreno, e não apenas se vai haver mais ou menos relâmpagos.
O que significa cada cor agora
Isto muda a forma de interpretar os três níveis. Um aviso amarelo deixou de significar simplesmente “alguns relâmpagos”. Passa a indicar a possibilidade de trovoada localizada com 10 a 20 mm de chuva numa hora, granizo até 2 cm e rajadas de vento entre 70 e 90 km/h. Ou seja, já justifica cuidado, sobretudo na condução e com objetos soltos no exterior.
O aviso laranja sobe de patamar: aponta para trovoada severa, 20 a 40 mm de chuva numa hora, granizo igual ou superior a 2 cm e rajadas a partir dos 90 km/h. E o aviso vermelho, o mais grave, indica trovoadas extremas, com pelo menos 40 mm de chuva numa hora, granizo de grandes dimensões e rajadas muito destrutivas. Quanto mais sobe a cor, maior a probabilidade de fenómenos severos, e mais importante é reduzires a exposição.

A grande vantagem desta mudança é que o aviso passa a ser um guia para adaptares o comportamento. Não precisas de esperar pelo primeiro trovão para agir: a cor diz-te logo se é melhor mudar o percurso, adiar uma deslocação ou simplesmente ficar em casa.
Como te proteger durante uma trovoada
As recomendações do IPMA e da Proteção Civil são simples, mas salvam. Se estiveres ao ar livre, procura abrigo num edifício ou dentro do carro, e afasta-te de árvores isoladas e de locais elevados. Entretanto se não houver abrigo por perto, mantém uma posição baixa, mas sem te deitares no chão. Se estiveres a conduzir, reduz a velocidade. Ao mesmo tempo aumenta a atenção e nunca atravesses zonas com água acumulada, porque basta pouca água para perderes o controlo do carro ou seres arrastado.
Com chuva intensa, o maior risco são as inundações rápidas, sobretudo nas cidades com sistemas de drenagem entupidos. Por isso, vale a pena desobstruir caleiras e sarjetas antes do mau tempo. Também evitar zonas inundáveis e manter distância de linhas de água. Havendo vento forte, afasta-te de árvores, andaimes, telhados e tudo o que possa cair.

A trovoada já não é só coisa do verão
Há ainda um dado que convém reter: a trovoada deixou de ser um fenómeno exclusivo dos dias quentes. Os registos mais recentes do IPMA mostram que, em 2025, o outono concentrou mais de 40% das descargas elétricas do ano, e novembro foi mesmo o mês com mais trovoadas desde 2010. Ou seja, é precisamente nesta altura, com a chegada das depressões e das frentes, que convém estar mais atento aos avisos.
No fundo, a mensagem é esta. A partir de agora, quando vires um aviso de trovoada, lê-o como um aviso sobre tudo o que pode vir com ela, a chuva, o granizo e o vento, e não apenas sobre os relâmpagos. Essa leitura mais completa pode ajudar-te a tomar a decisão certa na hora certa.
E tu, costumas ligar aos avisos do IPMA antes de sair de casa, ou só reparas no tempo quando ele já está mau?






