Há anos que se fala, especula e sonha com o primeiro smartphone dobrável da Apple. A concorrência no mundo Android já vai na sexta ou sétima geração de dobráveis, a tecnologia das dobradiças amadureceu e quem queria ver a maçã a dar o salto estava a contar os minutos para o evento de hoje. Pois bem, o tão badalado iPhone Ultra vai mesmo ser a grande estrela da apresentação ao lado da linha iPhone 18.
O problema é que, se estavas a planear meter as mãos num logo nos primeiros dias, é melhor preparares a cadeira e um balde de paciência… Conseguir comprar um vai ser quase missão impossível.
Ou seja, de acordo com informações apuradas pela Nikkei Asia, a Apple está a enfrentar dores de cabeça monumentais nas linhas de montagem. Os padrões de controlo de qualidade da marca são absurdamente exigentes e a produção diária do novo Ultra estará limitada a apenas “algumas centenas” de unidades por dia para o planeta inteiro.
Estavam planeadas 10 milhões de unidades. Mas, no início das hostilidades, ainda nem se sabe se vão existir um milhão.
A maldita dobradiça e o gargalo na linha de montagem

O grande culpado por este ritmo de caracol não é o ecrã flexível. A Samsung Display já tem luz verde e capacidade planeada para fornecer cerca de três milhões de painéis OLED dobráveis até ao final de 2026. O verdadeiro pesadelo dos engenheiros de Tim Cook está concentrado no mecanismo mecânico da dobradiça.
A Apple não quer lançar um produto com vincos grotescos no ecrã ou folgas que façam o aparelho parecer frágil ao fim de um mês de uso.
Mas, conceber uma dobradiça ultra complexa, fina e sem vincos visíveis em escala industrial é um autêntico inferno de engenharia. O resultado prático é uma taxa de rejeição elevada na fábrica, o que significa que o stock inicial pronto a despachar para as lojas vai ser ridiculamente escasso.
Apresentação hoje, mas encomendas a conta-gotas?
O que é que isto significa para quem quer comprar? O guião é fácil de prever.
A Apple vai subir ao palco, vai fazer o brilharete habitual a dizer que reinventou o conceito de telemóvel dobrável. Depois há dois caminhos prováveis! Ou atira a data de lançamento e o início das pré-reservas para daqui a várias semanas, ou abre logo as encomendas e as poucas unidades disponíveis evaporam-se em três segundos.
Se não fores dos primeiros sortudos a carregar no botão de compra no primeiro segundo, arriscas-te a ver a previsão de entrega saltar… Para dezembro ou até para o início do próximo ano. Quem estiver mesmo a precisar de renovar o smartphone sem dramas de stock ou preços inflacionados pelo mercado paralelo terá mesmo de se virar para os mais convencionais. Ou seja, os iPhone 18 Pro e Pro Max.
É a clássica jogada do produto halo: enche as capas dos jornais, cria um hype estrondoso nas redes sociais, mas quase ninguém o consegue ter no bolso nos primeiros meses de vida.






