A pergunta é simples, direta e mais honesta do que parece. Para que é que um iPhone dobrável seria útil no dia a dia? Para a vida real? Pois bem, a verdade é que esta dúvida não é exclusiva da Apple.
É uma questão que devia ser feita a todo o segmento dos dobráveis. A Apple parece ser apenas a última marcar a entrar no comboio.
iPhone Dobrável é mesmo necessário? Para quê?
Os dobráveis existem há anos… e continuam a dividir opiniões. Isto é um facto.

Podem parecer uma novidade, mas os smartphones dobráveis já estão no mercado há vários anos, de facto há quase uma década, e por isso, já perderam grande parte do entusiasmo que tinham sempre acoplado.
Aliás, existem há vários anos, quer no formato “livro”, quer no formato “concha”. Por isso, já amadureceram, já ficaram mais finos, mais resistentes e até mais baratos. Porém, mesmo assim, continuam a ser um nicho.
Isso diz muito.
Sim, há quem adore o formato. Há até quem nunca mais queira voltar a um smartphone “normal”. Mas também há muita gente que olha para eles e vê apenas um movimento extra, mais fragilidade e um preço difícil de justificar.
E isto acontece independentemente da marca.
O problema não é ser Apple. É ser dobrável!
Muita da discussão em torno de um eventual iPhone dobrável descamba rapidamente para a velha guerra Apple vs Android. Mas isso vale o que vale. A questão de fundo é outra: que vantagem prática traz um dobrável para a maioria das pessoas?
No formato horizontal, ganhas um ecrã maior, algo mais próximo de um tablet. Ótimo para multitasking, leitura, consumo de conteúdos ou trabalho leve. Mas também ganhas mais peso, mais espessura e um preço bem mais alto.
Além disso, continuas a precisar de um dispositivo secundário para muitas tarefas mais sérias. Seja um portátil, ou um tablet a sério.
Entretanto, no formato vertical, ganhas portabilidade. Um telemóvel que cabe melhor no bolso. Mas quando aberto… é apenas um smartphone normal. Tens de andar a abrir e a fechar algo que, no final do dia, é apenas um smartphone.
É estranho.
O verdadeiro argumento a favor de um iPhone dobrável
Há um cenário onde um iPhone dobrável até faz sentido. Não como substituto de tudo, mas como ponte entre iPhone e iPad.
Há quem use iPhone para tudo o que é rápido e iPad para tudo o que exige mais espaço: ler, editar, criar, consumir conteúdos com conforto. Um dobrável poderia, em teoria, reduzir essa divisão. Um único dispositivo que faz de telefone quando fechado e de mini-tablet quando aberto.
Mas aqui entra o risco…
O perigo de ser o pior de dois mundos
Um dobrável mal executado não é o melhor de dois mundos. É o pior.

Mais caro que um iPhone normal. Menos confortável que um iPad. Mais frágil. Com compromissos óbvios na bateria, na durabilidade e no design. Também conta com menos e piores câmaras.
Além de tudo isto, tem de ter um software afinado ao milímetro para justificar o formato.
É aqui que entra a Apple?
Se a Apple lança um dobrável, não é para experimentar
A Apple nunca entra cedo em… Nada. Especialmente em novos segmentos de produto.
Entra quando acha que consegue controlar a experiência de ponta a ponta.
Por isso, se lançar um iPhone dobrável, não será para mostrar que também consegue dobrar um ecrã. Será para tentar redefinir a experiência, nem que seja só aos olhos de quem já está dentro do ecossistema.
Então… para quem é que isto faria sentido?
Provavelmente para quem já vive profundamente dentro do ecossistema Apple. Para quem usa iPhone, iPad e Mac diariamente e vê valor num dispositivo híbrido, e claro, para quem valoriza design, integração e conveniência mais do que specs ou preço.
Para o resto das pessoas, a pergunta continua válida.
Talvez a resposta mais honesta seja esta… não serve para toda a gente, e nunca vai servir. É a realidade de um segmento que continua à procura de um propósito claro.

