Quando a Apple lançou o iPhone Air, existia toda uma aura à volta do smartphone. Afinal, era um iPhone fino, elegante, diferente, e claramente premium. Um daqueles produtos pensados para criar desejo, mesmo antes de se olhar com atenção para as especificações.
Tinha muito a seu favor. Porém, também tinha muito contra si. Nós avisámos várias vezes… Os consumidores querem algo de diferente, porque o mercado está estagnado. Mas, pagar mais por menos? Isso nunca. Os níveis de exigência também nunca estiveram tão altos.
Dito isto, na China, o lançamento até começou bem. Houve curiosidade, algum entusiasmo inicial e até vendas interessantes nas primeiras semanas. Mas três meses depois, a realidade é outra.
Descontos de mais de 400 euros dizem tudo

O mercado Chinês é importantíssimo para a Apple, talvez até mais que o Norte-Americano. Por isso, o foco na Ásia grande na altura do lançamento, e ao que tudo indica, ainda continua bastante forte em Janeiro.
Afinal de contas, as grandes lojas online chinesas não costumam brincar quando algo não está a rodar como esperado. E pelos vistos, com o apoio da Apple, começam a aparecer descontos nunca antes vistos em produtos da marca em solo Chinês.
Na loja oficial da Apple na Tmall, o iPhone Air sofreu um corte direto de cerca de 2.000 yuan, ficando nos 5.499 yuan. Já a JD.com foi ainda mais agressiva, combinando desconto direto com subsídios de retoma, levando o corte total até perto dos 2.900 yuan. Traduzindo para números simples, estamos a falar de cerca de 400 euros de desconto.
É uma tentativa clara de acabar com o stock.
O problema não é o desempenho. É o compromisso
No papel, o iPhone Air não é fraco. Muito pelo contrário. É um topo de gama a sério. Equipad com um processador A19 Pro, os mesmos 12GB de RAM dos modelos Pro, e claro, um ecrã de meter inveja a muitos smartphones de topo.
O problema começa quando se olha para tudo o resto.
Uma única câmara traseira num smartphone que se posiciona como premium é difícil de justificar. Uma bateria de apenas 3.149 mAh é ainda mais complicada de engolir, especialmente num mercado como o chinês, onde autonomia continua a ser um fator decisivo.
A Apple tentou compensar com otimizações de iOS, como sempre faz. Mas há limites. Em testes de autonomia, o iPhone Air perdeu para o Galaxy S25 Edge, mostrando que design ultrafino continua a ter custos práticos.
A Apple não desiste, mas vai mudar o plano
Apesar deste arranque claramente falhado, a Apple não parece disposta a abandonar o conceito. Já se fala numa segunda geração do iPhone Air, desta vez com duas câmaras traseiras, embora sem grandes mudanças no design.
A diferença está no timing. Em vez de um lançamento no outono, como os restantes iPhones, o iPhone Air 2 deverá chegar apenas na primavera de 2027. Com volumes de produção mais baixos e, muito provavelmente, um posicionamento de preço mais realista.
Mas… Até lá… O iPhone Air tem de desaparecer dos armazéns. Por isso, estas campanhas também vão aparecer na Europa, onde claro está, Portugal também se inclui.
- Nota: Diga-se de passagem que o iPhone Air já está a 900€ por cá.

