Se andavas a viver debaixo de uma pedra nos últimos dias, o novíssimo e caríssimo iPhone Duo foi apresentado com toda a pompa e circunstância, atropelando os iPhone 18 Pro e Pro Max no palco e deixando toda a gente de queixo caído com uma etiqueta que nos EUA começa nos 1999 dólares e que por cá salta logo para os 2399 euros.
E o que é que a liderança da empresa faz perante o choque generalizado do mercado? Vai para a frente dos microfones justificar o disparate dizendo que, no fundo, estás a levar uma pechincha. Porquê? Simples: porque são “dois produtos pelo preço de um”.
Numa entrevista conjunta ao Tom’s Guide, o CEO John Ternus e o chefe de marketing Greg Joswiak sentaram-se para explicar a razão de ser deste aparelho.
O ataque cerrado à Samsung: “Plástico barato com rugas”!

Quando confrontados com o facto evidente de terem chegado atrasados quase uma década a um segmento onde a Samsung, a Google e várias marcas chinesas já vão na sétima ou oitava geração, Ternus não poupou nas palavras e disparou diretamente à concorrência. Segundo o líder da Apple, o mercado dos dobráveis até agora só oferecia “superfícies de plástico com toque barato, onduladas e cheias de rugas”.
O iPhone Duo é diferente.
Porquê? A Apple meteu um acabamento em nanotextura por cima do painel OLED dobrável, prometendo um ecrã perfeitamente plano e muito mais resistente. Já Joswiak preferiu bater na tecla da proporção 1:1.4, argumentando que a concorrência parece apenas “dois telemóveis colados à pressa”.
Tudo muito bonito no papel. Só que convém lembrar a estes senhores que quem fabrica o painel de onde nascem todas essas maravilhas técnicas continua a ser a Samsung Display. A Apple pode afinar o vidro ultrafino e meter os seus filtros por cima, mas a tecnologia base é a mesma que anda no mercado há anos.
Dois aparelhos num só? Isso faz algum sentido?
Questionados sobre como é que alguém no seu perfeito juízo justifica dar o valor de uma moto usada ou de um portátil profissional de topo por um telemóvel, a resposta de Joswiak foi direta: “Chama-se iPhone Duo por uma razão. São praticamente dois produtos num só.”
Ou seja, para a Apple faz sentido pedir tanto dinheiro porque é como se estivesses a pagar por dois aparelhos. Apesar do facto de ser apenas um. Na cabeça deles, como o aparelho dobra e tem um ecrã interno grande que substitui um iPad mini, pagar 2400€ é uma espécie de promoção porque poupas na compra de dois equipamentos em separado.
“É mais caro, mas oferece um valor tremendo.”
O problema é que vai correr bem…
O que me tira do sério nesta conversa não é a Apple tentar justificar o injustificável. Isso eles sempre fizeram e continuarão a fazer com mestria.
O que me chateia verdadeiramente é saber que esta lengalenga vai resultar. As pessoas vão engolir o argumento de que têm um iPhone e um iPad no mesmo bolso, vão fazer créditos a 36 meses e vão esgotar o stock na primeira hora de pré-vendas.
Um smartphone de 2400€ vai esgotar. De facto, vai ser o primeiro dobrável a conseguir essa proeza. O que vem depois? Ninguém sabe. Mas se há 2400€ para dar por um smartphone, algo vai ter de mudar. Já não há coisas caras, desde que se saiba vender.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que esta conversa de “dois produtos num só” faz sentido para justificar 2400€, ou a malta vai engolir a desculpa só para ter o estatuto do novo topo de gama da Apple?








