Quando alguém decide cometer a loucura financeira de esticar o orçamento e comprar a versão mais cara de um iPhone, especialmente agora que os preços aumentaram devido à crise de memória, a realidade é que o consumidor quer a melhor performance possível. Aliás, é muito normal ver as fabricantes a meter armazenamento mais lento nas versões base, e depois caprichar nas versões com 1TB ou 2TB.
Mas… A Apple não é assim. As versões com mais espaço são mais lentas que as versões mais baratas.
iPhone 18 Pro Max – O que se passa com a falta de velocidade!?

Portanto, quando se gasta dinheiro a sério, o mínimo que se espera é receber o melhor hardware que o dinheiro pode comprar. Ponto final. Não há cá meio-termo.
Pois… Testes de desempenho confirmaram aquilo que parecia um rumor absurdo de corredores chineses. Isto porque, aparentemente para poupar uns trocos, a Apple decidiu meter memória flash QLC (mais barata, mais lenta e menos durável) nas versões de 1TB e 2TB do iPhone 18 Pro e Pro Max, enquanto as versões “básicas” de 256GB e 512GB continuam a usar chips TLC muito mais rápidos!
Sim, leste bem! Pagas mais para ter a versão mais cara e levas componentes inferiores!
Como é óbvio, a Apple sabe que o utilizador comum olha apenas para o número dos gigabytes na caixa e não faz ideia da arquitetura do silício que está lá dentro. E sim, poucas vão ser as pessoas que vão notar a diferença. Mas, quem compra estes aparelhos para trabalhar e puxar por eles tem todo o direito de ficar furioso com esta rasteira.
O truque do QLC vs TLC: Como meter mais dados no mesmo espaço à custa da velocidade
Para quem não está por dentro dos termos técnicos dos chips de memória flash, a explicação é facílima de perceber:
- Memória TLC (Triple-Level Cell): Guarda três bits de informação por cada célula. É o padrão que conhecemos há anos: rápido, consistente e com excelente resistência ao desgaste de escrita ao longo do tempo. Está presente a 100% nas versões de 256GB e 512GB.
- Memória QLC (Quad-Level Cell): Espeta com quatro bits por célula. Isto permite à Apple enfiar terabytes inteiros dentro do mesmo chip minúsculo com um custo de produção substancialmente mais baixo. O problema? Gravar quatro bits numa célula física é um processo elétrico muito mais complexo, lento e desgastante.
- A lotaria! Segundo os dados de testes, a versão de 2TB é praticamente 100% garantida como sendo QLC, enquanto a versão de 1TB tem entre 80% a 90% de probabilidade de vir com estes chips inferiores.
Velocidades de pen barata?
Se a memória é mais lenta, porque é que ninguém repara logo no primeiro dia? Porque a Apple montou um esquema de “ilusão” com memória cache ultra-rápida (SLC) para disfarçar o problema nas tarefas do dia a dia.
Só que basta começares a puxar a sério pelo telemóvel para a máscara cair com estrondo:
- Até 38% mais lento em tarefas normais: Testes em laboratório revelam que, mesmo em tarefas simples de leitura e escrita, os modelos com chips TLC batem os modelos QLC com vantagens que chegam aos 38% nos benchmarks sintéticos.
- A queda livre para os 79 MB/s: Se estiveres a gravar vídeo em 4K ProRes ou a transferir ficheiros pesados e a memória cache esgotar, o telemóvel é obrigado a escrever diretamente na memória flash bruta. Nesse momento, as velocidades desabam para uma média de 79 MB/s, com quebras absurdas nos 25 MB/s.
- O desastre à medida que o telemóvel enche: Quando o armazenamento ultrapassa os 60% de capacidade, o espaço para a cache rápida encolhe drasticamente. Com o disco composto, a escrita direta no QLC chega a bater no fundo a míseros 45 MB/s — com picos mínimos de 1,1 MB/s! Isso é literalmente mais lento do que um cartão microSD de feira ou um disco rígido mecânico com vinte anos de uso!
“Pro” apenas no nome?

Convenhamos: quem compra um iPhone apenas para mandar mensagens no WhatsApp, ver vídeos no TikTok e tirar quatro fotos ao prato de comida no restaurante nunca vai notar isto. A cache dá conta do recado e o telemóvel vai parecer sempre fluido e pronto a responder.
Mas nós estamos a falar de um telemóvel com o selo “PRO” no nome! Quem gasta uma pequena fortuna de quase dois mil euros numa versão de 1TB ou 2TB não o faz por capricho (ou não devia). Faz, porque precisa de espaço para gravar horas a fio de vídeo profissional, passar gigabytes de dados para o computador ou restaurar backups pesados sem perder a manhã toda.
Obrigar precisamente esses utilizadores avançados a levar com memória lenta e de menor durabilidade é uma falta de respeito tremenda para com o consumidor mais fiel da marca.
A Apple aumentou os preços, cortou nos carregadores na caixa e agora até na velocidade da memória flash decide racionar componentes para engordar os relatórios financeiros aos acionistas. E agora? Vale tudo?








