Fim do streaming sem anúncios? Parabéns, transformámos a Netflix na TV Cabo dos anos 90! Talvez até pior que isso, o que não era fácil.
Lembras-te de quando a Netflix e o resto das plataformas venderam a ideia revolucionária de que o futuro do entretenimento era ver séries sem interrupções, na hora em que quisesses e sem um único anúncio a interromper a melhor cena? Ahah! Esquece isso.
Em 2026, a promessa ruiu por completo. As mesmas plataformas que juraram a pés juntos ser a antítese da televisão tradicional estão agora numa corrida desmesurada para ver quem espeta mais minutos de publicidade no meio dos filmes e dos episódios que gostas de ver. E o pior de tudo? O plano com anúncios deixou de ser uma alternativa para poupar uns trocos e passou a ser o produto principal da indústria.
Por cá ainda não é bem assim. Mas, os números globais e da América Latina são assustadores. Mais de 60% dos novos assinantes da Netflix escolhem de caras a versão barata com anúncios. Assim, o que começou em 2022 como uma medida de desespero para estancar a perda massiva de clientes virou o ganha-pão de gigantes como a Disney+, a Max e a Amazon Prime Video.
Pagas para ter anúncios… e pagas ainda mais para te livrares deles!

A ganância destas plataformas é verdadeiramente fascinante.
A Amazon, por exemplo, simplesmente decidiu enfiar anúncios no plano base do Prime Video e exigir um pagamento extra a quem quisesse continuar a ter a experiência limpa que já tinha pago originalmente.
Enquanto isso, o tempo de publicidade por hora não para de subir. O que começou por ser um ou dois minutos discretos já vai em quase seis minutos de anúncios por hora em certos serviços, com áudio aos berros e sem opção de saltar.
De facto, para quem quer fugir da praga da publicidade e assinar as versões Premium de todos os serviços principais, a fatura mensal ultrapassa facilmente valores astronómicos. Na prática, o mercado deu uma volta de 180 graus. A ausência de comerciais, que era a razão de existir do streaming, transformou-se num artigo de luxo com um preço proibitivo.
A televisão tradicional venceu (e a culpa é nossa)
A justificação das marcas é sempre a mesma: “o consumidor quer pagar menos”.

A verdade nua e crua é que as plataformas inflacionaram os planos normais a um ponto tão absurdo que empurraram o utilizador comum à força para a versão com publicidade. E agora que o peixe está vendido, a tecnologia de segmentação vai ser cada vez mais agressiva, com anúncios interativos e focados na tua vida pessoal durante eventos ao vivo e séries de grande audiência.
Aliás, é exatamente por isto que a pirataria já não se foca apenas nos canais de desporto. Também há muita pirataria para séries e filmes. Que diga-se de passagem, funciona muito bem até no lado gratuito da coisa.
Tudo porque… Bem… Voltámos exatamente ao mesmo ponto de partida de há vinte anos. Pagamos uma mensalidade para ter direito a ver anúncios, com o bónus de que agora esses anúncios sabem exatamente o que pesquisaste no Google há dez minutos. A revolução do streaming falhou e nós limitámo-nos a pagar a conta.







