Os números de 2025 confirmam o pior cenário: os despejos dispararam e já atingem 130 famílias por mês. O motivo é quase sempre o mesmo, a falta de pagamento. Mas se és proprietário ou conheces o mercado, sabes que esta estatística conta apenas metade da história. A outra metade é um filme de terror burocrático onde a tua casa deixa de ser tua. O termo sequestro pode parecer forte, mas é exatamente isso que sentes quando tens um imóvel teu, com encargos teus, ocupado por alguém que não paga e que, simplesmente, decide não sair. A verdade é que em 2026 muitos inquilinos não pagam e recusam sair!
Arrendamento: inquilinos não pagam e recusam sair
O pesadelo começa de forma silenciosa. Primeiro falha um mês de renda. Depois falha o segundo. A partir daqui, entras num limbo. A lei diz que há contrato, mas na prática, o contrato vale pouco se a outra parte decidir ignorá-lo.
O que se vê cada vez mais não é apenas a incapacidade financeira de pagar. Trata-se de uma resistência ativa à saída. O inquilino sabe que o sistema é lento. Sabe que entre o primeiro incumprimento e a ordem efetiva de saída podem passar-se meses largos, ou até anos, se houver crianças ou situações de vulnerabilidade social envolvidas.

Durante este tempo, a casa está sequestrada. Tu continuas a pagar o IMI, o condomínio e a manutenção, enquanto vês a tua propriedade ser usada gratuitamente por quem te deve milhares de euros.
O labirinto legal que protege quem não cumpre
A frustração aumenta quando tentas resolver o problema pelas vias legais. O Balcão Nacional do Arrendamento e os tribunais estão entupidos. O que deveria ser um processo célere de despejo transforma-se numa batalha de desgaste.
Muitos inquilinos utilizam todas as falhas do sistema para adiar o inevitável, permanecendo no imóvel o máximo de tempo possível. Para o proprietário, a sensação é de total desproteção. O direito à habitação sobrepõe-se, na prática, ao teu direito de propriedade, deixando-te de mãos atadas enquanto a dívida acumula para valores que sabes que nunca vais recuperar.
O resultado: portas fechadas
Este clima de impunidade tem um preço alto para o futuro do mercado. Quem passa por um processo destes, ou vê um amigo passar, toma uma decisão radical: ou vende a casa ou fecha-a.

É por isto que hoje pedem tantas garantias, tantos meses de caução e fiadores com rendimentos altíssimos. Não é ganância; é medo. O medo real de voltar a ter a casa sequestrada por alguém que entra, deixa de pagar e se recusa a sair.
Os 130 despejos por mês em 2025 não são um sinal de que a justiça funciona. São apenas a ponta visível de um sistema onde recuperar a chave da tua própria casa se tornou uma missão quase impossível.

