Quando a Lua nasce, parece gigante, quase ao alcance da mão. Horas depois, lá no alto, parece pequena. Mas não mudou nada: o tamanho é o mesmo. É a ilusão da Lua, um enigma que a ciência ainda não resolveu por completo, e uma boa altura para o testares, com a Lua cheia a 26 de outubro.
Ilusão da Lua: o tamanho não muda
A Lua mantém exatamente o mesmo tamanho angular, ou seja, o mesmo tamanho aparente no céu, quer esteja junto ao horizonte quer esteja no alto. Se medires com uma régua, ou comparares fotografias tiradas com o mesmo zoom nas duas situações, vais ver que não há diferença.

Isto não é o mesmo que a superlua, um fenómeno físico em que a Lua está de facto mais perto da Terra na sua órbita elíptica. A ilusão acontece mesmo quando a Lua está à distância normal, e é uma questão de perceção.
As explicações que existem
A explicação mais citada é que o cérebro interpreta a distância e o tamanho a partir do contexto. Junto ao horizonte, há árvores, prédios e montanhas que servem de referência, e isso faz a Lua parecer mais distante e, portanto, maior. É uma ideia ligada à ilusão de Ponzo, em que dois objetos iguais parecem diferentes consoante as linhas de perspetiva à sua volta.
A primeira teoria plausível é do século XI, do matemático árabe Ibn al-Haytham, que já ligava o fenómeno à forma como o cérebro percebe a distância. Há também quem pense que a atmosfera funcionaria como uma lupa, mas hoje sabe-se que não é o caso.

O problema: ninguém tem a resposta final
A teoria do contexto tem um problema. Os astronautas na Estação Espacial Internacional também veem a ilusão, mesmo sem objetos em primeiro plano a indicar distância. Por isso, a própria NASA reconhece que ainda não existe uma explicação completa, e que, real ou ilusória, uma Lua gigante é uma bela visão.
Como testar a ilusão
Experimenta quando a Lua nascer. Observa-a junto ao horizonte e, mais tarde, quando estiver alta no céu, e compara com uma moeda segurada com o braço esticado. O mais curioso é que o cérebro não consegue desligar este mecanismo, mesmo quando sabes perfeitamente que a Lua não mudou de tamanho. Os fotógrafos aproveitam o efeito e usam lentes longas para ampliar objetos distantes junto ao horizonte e simular a Lua gigante. Podes também tirar duas fotografias, uma em cada altura, com as mesmas definições de zoom, e comparar o tamanho nas imagens.
A Lua cheia de outubro, conhecida como Lua do Caçador, é a 26. Se o céu estiver limpo, vale a pena sair de casa quando ela nascer e ver a ilusão em ação. A cor alaranjada que muitas vezes a acompanha junto ao horizonte, essa sim, tem explicação física: a luz atravessa uma camada maior de atmosfera.
Superlua e cor da Lua: não confundas
A superlua acontece quando a Lua está mais perto da Terra, e nessa altura pode parecer até cerca de 13 a 14% maior e cerca de 30% mais brilhante. É um efeito real, mas diferente da ilusão, que acontece em qualquer Lua cheia, perto ou longe.

A cor laranja da Lua junto ao horizonte também tem explicação física: ao atravessar uma camada maior de atmosfera, a luz da Lua tem os comprimentos de onda curtos, como o azul, dispersos, e chegam até nós os longos, como o vermelho. Não explica o tamanho, mas ajuda a dar ao nascer da Lua aquele ar tão especial.
E tu, já tentaste medir a Lua com uma moeda para tirar a prova?






