A música gerada por IA não aparece do nada, aliás, nada daquilo que a IA “gera” aparece do nada. Os algoritmos que dão vida às apps capazes de criar música. escutaram e analisaram milhares ou até dezenas milhares de faixas, dentro dos mais variados géneros musicais, para ter um profundo conhecimento daquilo que os utilizadores querem ou gostam.
Ou seja, quando se pede a um chatbot para gerar uma música, ele vai buscar detalhes a alguns dos sons mais populares da história. Aliás, muitas vezes rouba completamente partes famosas, para dar um outro impacto à música gerada.
Mas, se existem partes completamente roubadas, é possível identificá-las. É isso que a Sony quer fazer.
Sony quer saber exatamente que músicas estão escondidas dentro da IA
Portanto, segundo vários relatos internacionais, a gigante Japonesa desenvolveu um sistema capaz de identificar faixas originais dentro de músicas geradas por IA. Aliás, mais do que isso, a tecnologia consegue estimar quanto cada obra influenciou o resultado final.
E isso muda tudo.
O problema da música gerada por IA
Grande parte das ferramentas de geração musical foi treinada com enormes bases de dados. Muitas dessas bases incluem músicas protegidas por direitos de autor. O resultado? Canções novas que não são cópias literais, mas que carregam ADN criativo de obras existentes.
Claro que, até agora, provar essa influência era extremamente difícil.
Mas o novo sistema da Sony aposta em algo chamado “impressão digital neural” e técnicas de atribuição de dados de treino. Na prática, o objetivo é rastrear quais gravações humanas tiveram maior peso na aprendizagem do modelo e no resultado final.
Assim, se funcionar como prometido, um artista poderá demonstrar que a sua música foi usada como base e reclamar compensação. Ou seja, deixa de ser necessário bloquear. É possível ir buscar compensação. De facto, como já acontece no YouTube. (Se fores apanhado a “roubar” excertos, parte do dinheiro que o teu vídeo faz, vai para o dono desses mesmos excertos).
IA veio para ficar
A indústria tem passado os últimos tempos a remover milhares de músicas geradas por IA que imitam artistas reais. A própria Sony já pressionou plataformas para eliminar conteúdos que copiavam vozes e estilos de músicos conhecidos.
Mas bloquear não resolve o problema.
Dito isto, se for possível medir a influência concreta de cada obra numa faixa gerada por IA, abre-se a porta a modelos de licenciamento e partilha de receitas. Ou seja, em vez de proibir, pode-se regular.
A grande questão agora é simples: será que a indústria vai abraçar este modelo de “IA ética” com partilha de receitas, ou vamos continuar numa guerra permanente entre tecnologia e direitos de autor?







