Quem anda no mundo dos periféricos para PC sabe perfeitamente quem é a HyperX. A divisão de gaming da HP construiu uma reputação de ferro nos últimos anos à custa de auscultadores confortáveis, microfones que toda a gente usa no streaming e teclados mecânicos fiáveis sem pedir um rim em troca. Podes achar que é uma missão normal. Mas… Não é. O mercado está cada vez mais cheio de alternativas de qualidade, e o preço há muito que deixou de ser um problema.
De facto, o mercado dos teclados mudou radicalmente! Hoje em dia já ninguém quer apenas luzinhas a piscar e plástico barato a fazer barulho de lata. Os consumidores querem montagens suaves, switches lubrificados de fábrica e a possibilidade de trocar componentes sem soldar nada.
A pensar nisso, a marca atirou-se de cabeça à nova geração com o HyperX Origins 2 65. Prometendo uma ponte entre o gaming competitivo furioso com taxa de atualização de 8.000 Hz e o mundo artesanal dos entusiastas com o famoso sistema de montagem O-ring.
A ideia no papel é fantástica… Mas será que na prática não quiseram dar um passo maior do que a perna? Disponível por cerca de 120 euros, este menino de formato 65% vem carregado de argumentos técnicos para tentar justificar a renovação da gama Alloy Origins.
Uma máquina de guerra para jogos rápidos!

Se o teu objetivo exclusivo for jogar títulos frenéticos onde cada milissegundo decide a tua sobrevivência, o Origins 2 65 não desilude ninguém. O hardware responde de forma brutal e a combinação de switches rápidos com a taxa de amostragem de 8.000 Hz transforma-o num pequeno monstro de resposta imediata.
Afinal, os HyperX Linear Red contam com uma força de atuação leve de apenas 40g e um curso curto de 1,8 mm. O design estilo caixa (box) evita que a tecla dance de lado para o outro e garante uma vida útil anunciada de 80 milhões de cliques.

Depois, se não gostares dos switches vermelhos por achares a tecla demasiado leve para escrever textos longos, não há crise. A placa de circuito impresso suporta switches de 5 pinos, permitindo arrancá-los com uma pinça e meter interruptores táteis ou silenciosos à tua escolha em meros minutos.
Por fim, a HyperX colocou espuma de amortecimento no fundo da estrutura, eliminando por completo aquele eco metálico horroroso (ping) que assombrava teclados de gaming de gerações passadas.
A desilusão do O-Ring?

Onde é que o departamento de marketing da HyperX esticou a corda? Na promessa de trazer uma sensação de escrita estilo custom para as massas. A marca gaba-se de usar uma montagem O-ring, que basicamente coloca um anel de borracha entre a placa e o PCB para tentar criar uma sensação de amortecimento elástico e flexível ao teclar.
O problema é que, de olhos vendados, ninguém repara que isto tem um O-ring montado. A sensação de escrita acaba por ser praticamente idêntica à de um teclado tradicional de montagem rígida em bandeja (tray mount). Além disso, os switches vermelhos continuam a bater com bastante força e ruído no fundo da estrutura.
Para mim é normal. É um teclado mecânico. É suposto ter algum barulho. Mas, certamente alguns entusiastas vão reclamar. Ou seja, se estás à espera daquele som abafado, macio e cremoso dos teclados mecânicos dos vídeos do YouTube, esquece.
RGB estrondoso e personalização 3D.

A nível estético, o teclado traz uma carcaça em policarbonato fumado translúcido e iluminação RGB individual que enche o olho. As teclas em plástico ABS double-shot deixam passar a luz com um brilho vibrante, criando efeitos visuais como o preset “confetti” que dão vida a qualquer secretária.
A HyperX até teve uma sacada de génio brilhante para quem gosta de modding: vende carcaças de várias cores à parte e, melhor ainda, disponibilizou os ficheiros originais de borla na plataforma Printables para quem tem uma impressora 3D em casa imprimir a sua própria caixa com as cores que bem entender!
Mas, se quiseres mudar de modo de luz ou ajustar as cores és obrigado a abrir o software NGENUITY no Windows. Não dá para o fazer a partir do próprio teclado. Ainda assim, o software é leve, não vem carregado de lixo inútil e faz o que lhe pedem, mas depender dele para mudar uma simples animação no teclado é uma preguiça de engenharia difícil de engolir.
Vale a pena a compra?
O HyperX Origins 2 65 é uma proposta competente que acerta em quase tudo o que um jogador competitivo precisa. É compacto, não ocupa espaço na secretária para mexeres o rato à vontade, responde na fração de segundo exata em que tocas na tecla e tem software limpo. A inclusão de hot-swap e os ficheiros 3D abertos à comunidade são passos de louvar.
Por cerca de 100€, não está mesmo nada mal.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Dás valor a taxas de resposta absurdas como 8.000 Hz num teclado compacto, ou preferes uma sensação de escrita macia e silenciosa para trabalhar durante o dia?








