Sim, a Apple e Samsung dominam. Mas, da mesma maneira que o mercado automóvel europeu perdeu muita força com a mudança de paradigma na China, o mesmo pode ser dito no lado dos smartphones. A China desenvolve e produz alguns dos melhores smartphones Android à face da terra, e de facto, com um mercado doméstico gigantesco, é fácil perceber que as grandes marcas perderam força na região.
Ainda assim, o smartphone mais vendido na China no segundo trimestre de 2026 não é um aparelho chinês: é nada menos do que o iPhone 17 Pro Max. Surpresa?
A Apple domina o top de vendas individual. Mas a Huawei continua viva.

Num mercado onde marcas locais oferecem baterias gigantescas de silício-carbono, carregamentos ultras-rápidos e designs futuristas, o consumidor chinês continua a render-se ao peso do logótipo da maçã. O estatuto social e a força de marca da Apple continuam a falar mais alto do que qualquer folha de especificações cheia de números pomposos.
De facto, os números mais recentes da consultora Counterpoint Research mostram um cenário fascinante. Quando olhamos para os modelos mais vendidos individualmente entre abril e junho, a Apple ocupa o topo com o iPhone 17 Pro Max a agarrar 6% de todas as vendas, logo seguido pelo iPhone 17 base com 5%. Aliás, a febre pela nova cor Cosmic Orange parece ter feito autênticos milagres nas lojas chinesas.
Para se ter uma noção da proeza, a melhor resposta da Huawei nesta tabela individual é o Enjoy 90 Pro Max com 4%, empatado com o iPhone 17 Pro normal, enquanto o topo de gama Mate 80 fica mais abaixo com 2%. Ou seja, na luta modelo contra modelo, a família iPhone 17 passou os rivais com uma perna às costas.
Isto significa que a Apple ganhou a guerra na China? Longe disso. Se no modelo individual a Apple brilha, no acumulado total por marcas a Huawei continua a ser a autêntica rainha. Graças a um catálogo enorme que vai desde a gama de entrada até aos topos de gama mais caros, a Huawei disparou a sua quota de mercado geral para os 23%, ao passo que a Apple encolheu para os 18% no mesmo período.
O que vem aí mete medo.
Por trás desta guerra de números esconde-se uma nuvem negra que promete estragar a festa a toda a gente. Os centros de dados de Inteligência Artificial andam a aspirar toda a produção de chips do planeta, e o mercado de smartphones já está a levar por tabela com um aumento brutal no custo da memória RAM e dos processadores.
A situação é tão má que os gigantes chineses andam a cortar metas a torto e a direito. A Xiaomi, por exemplo, reduziu as previsões de envio para 2026 em quase 30%. Apontando agora para 90 milhões de telemóveis face aos 170 milhões que colocou no mercado em 2025. A OPPO e a Vivo fizeram cortes semelhantes, admitindo que o custo proibitivo dos componentes e o abrandamento económico estão a travar o consumo.
Com a Apple prestes a lançar a nova geração e a mostrar o seu primeiro dobrável ao mundo, a grande dúvida é se vai conseguir manter esta liderança individual na China. Ou se os aumentos de preços vão finalmente assustar os consumidores. Para já, uma coisa ficou bem provada… Por mais sanções e discursos patrióticos que existam, quando o chinês quer um telemóvel para ostentar, o iPhone continua a ser o rei incontestável.








