Hoje em dia, é muito comum ver todas as fabricantes a apostar em auriculares focados num design mais aberto. Ou seja, earbuds que não precisam de ser postos dentro do canal auditivo. Apenas canalizam o som, o que obviamente tem as suas vantagens, mas também algumas desvantagens.
A Huawei foi uma das primeiras fabricantes a apostar no formato com os Huawei FreeClip, e mais tarde também com os FreeArc. Algo que faz todo o sentido, porque apesar de nem ser muito conhecida pelos seus produtos focados no som, a realidade é que a Huawei sabe o que anda a fazer neste mundo.
Aliás, é exatamente por isso que temos agora uma nova versão dos FreeClip, com o nome… FreeClip 2. Simples? Natural, é isso que o mercado precisa.
Huawei FreeClip 2: Estranhos? Sim. Mas surpreendentes!

Mas, ao contrário da grande maioria dos earbuds do mercado, os Huawei FreeClip sempre foram daqueles produtos que obrigam a parar e olhar duas vezes. Isto porque não parecem earbuds normais. Afinal de contas, não são bone conduction, não entram no ouvido e também não se penduram atrás da orelha como outros modelos open-ear. São… diferentes.
Isto porque além de oferecerem som de qualidade, também querem ser um objeto de moda. Ou seja, querem ir além da tecnologia que lhes da vida. Um pouco à imagem daquilo que a fabricante também faz nos relógios. A Huawei lança os seus produtos, com todas as capacidades e mais algumas, e depois ainda acrescenta uns pózinhos de “lifestyle”.

Dito tudo isto, a segunda geração não muda essa realidade. Os FreeClip 2 continuam a parecer uma mistura estranha entre brincos e auscultadores. Mas há uma diferença importante face ao modelo original. O design é diferenciado, e o som justifica mesmo o esforço de adaptação.
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O maior problema continua a ser o encaixe
Convém ser honesto logo à partida. O maior risco dos FreeClip 2 continua a ser o encaixe nas orelhas. Não é algo universal e não há forma de saber se vão funcionar contigo sem experimentares.

Há pessoas que têm uma orelha mais pequena, e como tal, não há tanto espaço para fixar a haste. Isto porque este produto não “aperta” a orelha nem usa ímanes fortes. Assentam com uma pressão muito ligeira, o que ajuda no conforto, mas torna o posicionamento algo sensível. Nos primeiros dias vais mexer, ajustar, voltar a colocar. Depois disso, o cérebro aprende e tudo flui melhor.
Em corrida ou ginásio, é normal que desçam ligeiramente até perto do lóbulo. Mas, e isto é muito importante reter… Não caem. Nem perdem qualidade sonora. É um design que faz todo o sentido. Porque o ponto que canaliza o som está sempre centrado.
Entretanto, quando ficam bem colocados, são extremamente confortáveis. São leves, mais pequenos do que a geração anterior e, ao fim de algum tempo, quase te esqueces que estão lá.
Design que divide opiniões. Isso é mau?
A Huawei claramente tentou fazer dos FreeClip 2 um objeto “visível”. Não são discretos, nem querem ser. O modelo branco com detalhes cromados chama a atenção. Demais para algumas pessoas.
Mas é suposto ser assim. São diferentes! Quem gosta de tecnologia com um lado mais fashion vai olhar para estes earbuds com outros olhos.
Os controlos melhoraram, mas continuam a exigir hábito
Uma das grandes críticas aos FreeClip originais era a falta de controlos eficazes. Aqui há evolução.
Agora podes tocar praticamente em qualquer parte do earbud para controlar reprodução, atender chamadas ou pausar música. O volume ajusta-se com gestos na parte traseira, junto à orelha. Não é imediato, nem perfeito, mas funciona.
Há também pequenos truques úteis, como abanar a cabeça para rejeitar chamadas e pausa automática quando retiras os earbuds. Tudo isto com ligação a vários dispositivos em simultâneo.
Muito intuitivos e práticos.
O som é a verdadeira surpresa
Aqui está o ponto onde tudo muda!

Para um design open-ear, os FreeClip 2 não deviam soar assim. Mas soam.
O grave é, honestamente, impressionante. Tem presença, impacto e, mais importante, definição. Não é aquele grave fofo e mal controlado típico deste tipo de produto. Quando estão bem posicionados, sente-se mesmo.
Médios e agudos também acompanham bem, sem exageros, com um equilíbrio raro em earbuds que não entram no ouvido. A Huawei redesenhou os drivers de 10.8 mm e isso nota-se.
Claro que não são earbuds para áudiofilos. Nem é esse o objetivo. Mas dentro do mundo open-ear, estão claramente acima da média e até batem alguns modelos in-ear mais baratos da própria Huawei.
Caixa simples, bateria excelente
A caixa é pequena, arredondada, fácil de meter no bolso e sem invenções. Cumpre.
A bateria, essa sim, impressiona. Cerca de 9 horas nos earbuds e até 38 horas com a caixa. Dá para usar dias seguidos sem pensar nisso.
Conclusão
Os Huawei FreeClip 2 continuam a não ser para toda a gente. O encaixe vai continuar a afastar alguns utilizadores e o preço não é simpático.
Mas a qualidade está toda lá. E talvez mais importante que isso, são um produto diferente de todo o resto. Isto mesmo dentro do mundo dos earbuds abertos. Não são estranhos só porque sim. São estranhos porque a Huawei decidiu tentar algo diferente. E, desta vez, acertou onde mais importa.
Por fim, no lado da qualidade técnica, para um design open-ear, estes earbuds são surpreendentemente bons, confortáveis e versáteis.

