Estamos a viver a loucura dos dobráveis em 2026! A Apple decidiu mudar o formato com o iPhone Duo, mas rapidamente foi ultrapassada pela Huawei e pela Samsung (especialmente pela segunda, visto que a presença da Huawei no lado dos smartphones é agora muito limitada).
A Apple teve azar nos “leaks”, porque os seus planos chegaram à Internet ANOS antes do lançamento oficial do produto. O segredo é, e tem de ser, a alma do negócio. Isso falhou aqui.
Ainda assim, há quem ainda se queira meter no meio com um formato clássico. Estamos a falar da HONOR, uma fabricante que até já foi capaz de meter a Samsung em sentido com dobráveis extremamente mais finos e com baterias muito mais capazes, mas que, entretanto, parece ter perdido alguma da sua força neste segmento.
O HONOR Magic V6 chega agora a Portugal.
HONOR Magic V6 chegou a Portugal. São… 2300 euros!

Quem me lê com frequência sabe perfeitamente que não tenho papas na língua quando se trata de dobráveis. Durante anos critiquei duramente a Samsung por se ter sentado à sombra da bananeira com a linha Z Fold, a lançar sucessivas revisões com vincos feios no ecrã, espessuras de tijolo e baterias que mal aguentavam até à hora de jantar.
A concorrência chinesa acordou para a vida e foi a HONOR que começou a virar o jogo ao meter no mercado aparelhos incrivelmente finos e ergonómicos. Pois bem, a marca acaba de oficializar a chegada a Portugal do seu novo topo de gama: o HONOR Magic V6.
É um formato que agora se sente “cansado”, tal tem sido a novidade do Duo da Apple. Mas os números de engenharia são absolutamente brutais!

São apenas 8,75 mm de espessura quando fechado, uns ridículos 4,0 mm aberto, e uma bateria colossal de silício-carbono com 6.660 mAh que mete a concorrência toda a respirar fundo. Mas como neste mundo ninguém dá almoços grátis, o choque com a realidade vem na fatura… A HONOR quer cobrar uns astronómicos 2.299 euros pelo aparelho! É uma obra-prima de engenharia, mas será que alguém no seu perfeito juízo vai dar mais de dois mil euros por um telefone, por muito mágico que ele seja?
Um verdadeiro smartphone fechado, um tablet a sério aberto
IMAGEM
O grande pecado da esmagadora maioria dos dobráveis de formato livro sempre foi a usabilidade no dia a dia. Ou pareciam dois telemóveis colados com fita-cola no bolso, ou tinham ecrãs exteriores tão estreitos que pareciam comandos de televisão antigos.
Aqui a HONOR voltou a dar uma lição prática de design:
- Espessura de telemóvel convencional: Com 8,75 mm quando fechado e cerca de 219 gramas na balança, o Magic V6 é tão fino e leve como qualquer topo de gama tradicional de vidro e metal. Não ficas com um calhau a deformar o bolso das calças.
- Ecrãs que não cegam ao sol: O painel exterior tem 6,52 polegadas com um brilho de pico insano de 6.000 nits, enquanto o ecrã desdobrável interior salta para as 7,95 polegadas a chegar aos 5.000 nits. Ambos contam com taxa de atualização variável de 1 a 120 Hz e escurecimento PWM de 4.320 Hz para não massacrar a vista à noite.
- Resistência à bruta: A dobradiça de aço aguenta até 2.800 MPa com recurso a amortecimento assistido por IA para absorver quedas, e o aparelho traz certificação dupla IP68 e IP69. Ou seja: não tem apenas medo zero de cair dentro da banheira, aguenta até jatos de água sob alta pressão, algo quase inédito no campeonato dos ecrãs flexíveis.
6.660 mAh: Uma bateria a sério!

O grande destaque que merece todos os elogios possíveis é a bateria. Enquanto outras fabricantes continuam a meter células de 4.400 ou 5.000 mAh a chorar nos seus dobráveis com a desculpa da falta de espaço interno, a HONOR recorreu a uma química avançada de silício-carbono com 25% de teor de silício para enfiar 6.660 mAh dentro de uma carcaça ultrafina.
Para empurrar a máquina temos o novo processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 construído a 3 nanómetros, acompanhado por memórias ultrarrápidas LPDDR5X e armazenamento UFS 4.1. Na hora de ir à tomada, o carregamento com fios suporta 80W e o sem fios atinge uns impressionantes 66W, além de permitir carregamento inverso para desenrascar auriculares ou relógios.
No departamento fotográfico, nada de câmaras secundárias manhosas para poupar custos! Temos um sensor principal de 50 MP, uma grande angular também de 50 MP e uma teleobjetiva periscópica de 64 MP com estabilização ótica de topo.
Conclusão
Só que tudo isto esbarra com estrondo na barreira monetária. A HONOR estabeleceu o preço de tabela para Portugal nos 2.299 euros, ficando numa fase inicial em exclusivo na operadora MEO. Por muito que o salto tecnológico seja inegável e que este seja, tecnicamente, o melhor dobrável do mercado à face da terra, dois mil e trezentos euros é um valor estratosférico para a realidade do nosso país.
Paga um mês e meio de ordenado médio e ultrapassa o valor de compra de muitos automóveis usados funcionais.
O hardware é soberbo e a concorrência vai ter de correr muito para apanhar o ritmo que os engenheiros chineses ditaram aqui. Mas enquanto os dobráveis continuarem tabelados a preços de joalharia de luxo… Continuarão a ser vitrines de tecnologia para olhar na montra em vez de produtos que mudam a vida da maioria dos utilizadores.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que um dobrável ultrafino com bateria de 6.660 mAh justifica este preço na ordem dos 2.300 euros? Ou as fabricantes estão a perder completamente o contacto com a realidade financeira do consumidor?








