Quando a HONOR apareceu a apostar forte e feio na Europa, onde temos de incluir Portugal, isto após a separação da HUAWEI, ficou no imediato a ideia de que seria possível ver uma espécie de regresso dos smartphones ao estilo da gigante chinesa, com todo o potencial desbloqueado, quase como se fosse um regresso a partir das cinzas. Uma fénix!
E de facto, os primeiros aparelhos a chegar ao mercado pareciam ser exatamente isso. Design e qualidade de construção HUAWEI, com hardware de última geração, preços interessantes, e claro, acesso a 5G e serviços Google.
Isto é especialmente verdade na altura em que o Magic V3 foi lançado, um dobrável quase inacreditável, que foi até capaz de humilhar a Samsung, rainha dos dobráveis, em vários campos super importantes.
Parecia que íamos ver uma HONOR a crescer de uma forma incrível, e claro, a ocupar o espaço que a HUAWEI deixou vazio, e que de facto, nenhuma fabricante foi capaz de preencher em pleno.
Mas… Não!
A HONOR tinha tudo para dar certo
Portanto, caso não saibas, a HONOR não apareceu do nada. Herdou muito ADN técnico, herdou algum do know-how que fazia da HUAWEI uma marca especial, e apareceu numa altura em que o mercado Android precisava desesperadamente de mais concorrência a sério. Isto especialmente no segmento premium.
Aliás, basta olhar para aquilo que a marca conseguiu fazer no hardware. Bons acabamentos, dobráveis muito competentes, câmaras interessantes, designs apelativos e uma vontade real de parecer diferente. Ou seja, a base estava lá.
O software não foi capaz de evoluir.
A HONOR lançou hardware de topo, mas não foi capaz de acompanhar as rivais no lado do software. Não é que seja uma falha enorme. Mas, as rivais têm mais funcionalidades, menos confusão, e até mais fluidez.
Existem bugs e pequenas falhas irritantes. Existem comportamentos estranhos no sistema. No final do dia, falta a atenção ao detalhe que separava a HUAWEI do resto.
O design também começou a estagnar!
Os primeiros Magic a chegar à Europa eram… Incríveis! Bonitos, premium, poderosos, e de facto, mais baratos que os rivais diretos.
Continuam premium e com muito poder graças ao hardware utilizado. Mas, o design parece ter ficado parado no tempo. Sim, os designs são bonitos. Sim, os smartphones continuam a ter boa presença. Mas a diferença entre gerações começou a parecer pequena demais para causar impacto.
Quando uma marca já está consolidada, como a Apple ou a Samsung, até pode brincar mais com essa continuidade. A HONOR tem de ser irreverente. Tem de deixar as pessoas boquiabertas.
Faltou também uma aposta séria em comunicação
Este é outro detalhe que faz toda a diferença. Ninguém sabe quem é a HONOR, e isso é um problema. A Nothing apareceu do “nada” (ahah) e começou a vender e a mexer com o mercado. A OPPO foi castigada, desapareceu, voltou, e parece estar mais forte e interessante. Etc…
A marca não comunica com a força que devia. Faltou fazer barulho.
É pena, porque qualidade não falta
E é exatamente por isso que isto sabe a desperdício. Porque a HONOR não está a falhar por falta de talento técnico, nem por falta de capacidade de engenharia. Está a falhar porque parece uma marca que ainda não percebeu totalmente aquilo que quer ser.
Quer ser premium, mas nem sempre oferece a experiência premium completa. Quer parecer diferente, mas começa a repetir demasiado as fórmulas. Além de tudo isto, quer crescer na Europa, mas não comunica com a força que esse crescimento exige.
Ou seja, tem muito para oferecer, mas continua a deixar demasiado por fazer.
Conclusão
A HONOR tinha tudo para ocupar o vazio deixado pela HUAWEI. E durante algum tempo até pareceu que o ia conseguir. Tinha bom hardware, tinha bons preços, tinha ambição, e chegou a lançar produtos realmente impressionantes.
Mas depois faltou o resto.
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