High on Life 2 – Quando um jogo recebe uma sequela, há sempre uma expectativa clara: manter o que funcionou e melhorar o que ficou aquém. Parece óbvio, certo? Dito tudo isto, o primeiro High on Life tinha identidade, irreverência e um humor que, goste-se ou não, era fresco.
Era um jogo diferente de tudo o resto, e isso é obviamente sempre importante. Mas isso também é natural, afinal, tendo sido desenvolvido pela Squanch Games, uma empresa que teve como cofundador Justin Roiland, o co-criador de Rick and Morty, seria de esperar uma narrativa completamente louca e sem medo de mandar todo o tipo de piadas.
Já High on Life 2 aposta fortemente na fórmula original… Mas, quase sempre sem conseguir elevar o nível, Aliás, até certo ponto, dá um passo atrás em certos aspetos.
E é esse o maior problema.
História
A história tem início algum tempo após o fim do primeiro jogo. Ou seja, o nosso protagonista, agora simplesmente conhecido como o G3 Killer, tem passado grande parte do seu tempo em entrevistas, gameshows e eventos sociais, tudo enquanto continua a trabalhar como mercenário.
Até ao fatídico dia em que, por engano, mata quem (ou o que) não devia, diminuindo drasticamente a quantidade de trabalho a que tem acesso, assim como a sua vontade de matar, desculpem, trabalhar.
Como se não bastasse, existe agora uma nova ameaça à raça humana que promete transformar-nos todos em gado para, através dos nossos corpos, criar uma nova droga, numa espécie de Breaking Bad intergalático.
Cabe-nos ajudar a nossa irmã a salvar toda a humanidade desta nova conspiração.
Agora, se isto parece praticamente o mesmo setup do primeiro jogo, é porque acaba por ser. Assim, se havia algo que podia (e devia) crescer nesta sequela era o universo e a narrativa.
Em vez disso, temos uma história um pouco mais fraca e menos impactante.
No final do dia, o que acaba por salvar um pouco a experiência é o facto de as personagens (principalmente as nossas armas) continuarem a ser um ponto alto devido ao puro nível de parvoíce que atingem, mas mesmo isso acaba por parecer um pouco repetido.
Não é desastroso. Mas também não é tão memorável como o primeiro High on Life.
Jogabilidade
O primeiro jogo nunca foi um exemplo de precisão ao nível de um DOOM ou Call of Duty, mas cumpria. Aqui, o combate parece mais solto, menos refinado. Há uma sensação constante de falta de polimento nos tiroteios, principalmente no que toca ao impacto.
Para mim e para muitos fãs de FPS, sentir que as armas têm impacto é importantíssimo, sentir que cada tiro que damos tem consequências desastrosas no nosso infeliz alvo. Infelizmente, acaba por ser aqui que High on Life 2 dá um passo atrás.
No entanto, como disse em cima, essas mesmas armas continuam a ter personalidade e isso continua a ser um dos pontos fortes da série.
Estar a matar grupos inteiros de mercenários enquanto a nossa arma manda um “Yeah f*ck you!”, ou ter uma faca psicopata com sotaque australiano sempre pronta a esventrar os nossos inimigos é algo de que nunca me cheguei a fartar.
Temos também a adição de um skateboard nesta sequela, que honestamente torna o movimento mais divertido mas, na minha opinião, ficou um pouco aquém do seu potencial.
Gráficos
Estamos numa geração em que mesmo jogos AA conseguem apresentar um nível técnico e gráfico bastante sólido. Pois… High on Life 2 não está nesse patamar.
Isto é especialmente notório quando começamos a jogar e parece que todo o ecrã está coberto de vaselina, ou seja, tudo está desfocado. Assim, se formos juntar algumas texturas pouco definidas e algumas quebras de consistência na performance, temos uma experiência bastante castrada graficamente na PS5.
Pergunto-me também o porquê de não existirem opções gráficas que nos permitam escolher entre FPS mais baixos com resolução mais alta ou FPS mais altos com baixa resolução (que parece ser o default).
O estilo único tenta compensar a falta de capacidade técnica… mas nem sempre chega.
Humor
Podemos esperar mais daquelas piadas irreverentes que tornaram Rick and Morty numa das melhores séries de comédia que muitos de nós já vimos e que elevou tanto o primeiro High on Life.
Mas já não existe o fator surpresa.
A fórmula é praticamente a mesma e isso retira impacto a essas mesmas piadas. Se juntarmos a isso o facto de a jogabilidade estar igual ou até um pouco mais fraca, temos uma receita para um potencial desperdiçado.
Não me entenda mal, caro leitor, o humor ainda lá está, com tudo o que seria de esperar, porém como referi acima, tudo parece um pouco reciclado.
Conclusão
High on Life 2 não é um mau jogo, mas a realidade é que não faço ideia se é um bom jogo. Acima de tudo, não é a evolução que se esperava. É mais do mesmo, com uma história menos marcante, um sistema de combate menos impactante e um salto técnico que simplesmente não existe.
Podia, e devia, ser mais barato.











