A transição para a mobilidade elétrica não tem de ser feita apenas e só através de carros 100% elétricos. Há muito boa gente que não consegue carregar em casa, nem no trabalho. Por isso mesmo, tem de se focar mais no lado dos híbridos. Afinal de contas, carregar na rua é, e vai muito provavelmente continuar a ser, um caos demasiado caro para que tu consigas manter a tua sanidade mental.
O problema aqui é… Os departamentos de marketing das marcas automóveis aproveitaram a confusão para inventar nomes bonitos e pomposos.
Hoje em dia, tudo o que tem quatro rodas e um pequeno motor elétrico escondido no capô passa a chamar-se “híbrido”. Mas, a realidade é que colocar todas estas tecnologias no mesmo saco não faz grande sentido. De facto, comprar um Mild Hybrid a pensar que vais andar em modo 100% elétrico pela cidade é o maior engano em que podes cair.
Ou seja, se estás à procura de carro novo ou usado e queres fugir aos combustíveis tradicionais sem apanhar sustos na fatura. Precisas de perceber exatamente o que cada sistema faz na prática.
Mild Hybrid (MHEV): O que é isto?

Comecemos pelo fundo da tabela com os chamados Mild Hybrid, ou híbridos ligeiros. Este sistema funciona com uma arquitetura elétrica modesta de 48 volts e uma bateria minúscula, normalmente entre 0,5 e 1,0 kWh, que se regenera nas desacelerações e travagens.
Vale a pena dizer que, normalmente, as marcas nunca vão ao detalhe de explicar que o motor elétrico aqui nunca faz mover as rodas de forma independente.
Mais concretamente, o sistema elétrico serve apenas de auxiliar de arranque para suavizar o Start/Stop, alimentar os sistemas de bordo e dar um cheirinho de binário extra ao motor de combustão quando carregas no acelerador em baixas rotações. Não se liga à tomada. Nem faz deslocações a emissões zero e a poupança real de combustível ao fim do mês é bastante modesta.
Full Hybrid (HEV): O clássico “auto-recarregável”?

Subindo um patamar encontramos os híbridos puros, aqueles que a publicidade adora batizar como “auto-recarregáveis”. Aqui a história já muda um bocadinho de figura. A bateria continua a carregar-se exclusivamente com a inércia, travagens e com o próprio motor térmico. Mas, o motor elétrico tem força e ligação direta à transmissão para puxar pelo carro sozinho.
Como seria de esperar, a autonomia em modo puramente elétrico raramente passa de dois ou três quilómetros seguidos, mas no pára-arranca do trânsito urbano faz toda a diferença do mundo.
O carro arranca suavemente sem barulho de motor, desliga o bloco a gasolina enquanto desliza em plano e volta a ligá-lo sem que o condutor precise de pensar em tomadas, fichas ou postos de carregamento públicos avariados.
Plug-in (PHEV) e Range Extender (EREV): Baterias a sério, e claro, combustível para o resto.

Para quem quer o melhor dos dois mundos, faz muitos quilómetros, e pode carregar em casa ou no trabalho, o Plug-in (PHEV) continua a ser uma opção muito interessante. Especialmente agora com a nova geração de híbridos plug-in, com baterias maiores, e capacidade de carregamentos rápidos.
Dito tudo isto, com baterias que oscilam entre os 10 e os 30 kWh, estes carros oferecem entre 50 a 100 quilómetros de autonomia puramente elétrica real. Permitem fazer as deslocações diárias de casa para o trabalho sem queimar uma única gota de combustível e mantêm o depósito de gasolina intacto para quando decides fazer uma viagem de 500 quilómetros ao fim de semana sem ansiedade de autonomia.
Mas, se não o carregares religiosamente na tomada todos os dias, passas a andar a arrastar centenas de quilos de baterias mortas, e por isso mesmo, o motor a gasolina vai “beber” mais.
Por último, temos o regresso em força dos elétricos com extensor de autonomia (EREV ou Range Extender). Uma tecnologia que muitos davam como morta com o velho BMW i3 mas que fabricantes como a Lotus, Mazda e várias marcas chinesas estão a recuperar em força. Podemos dizer que é parecido ao PHEV, mas, neste sistema, a tração das rodas é sempre garantida por motores elétricos. Isto enquanto o pequeno motor a gasolina funciona quase exclusivamente como um gerador a bordo para produzir eletricidade e carregar a bateria em andamento quando a energia acaba.
Diz-me tu! Na tua utilização diária, preferias a simplicidade de um híbrido puro sem cabos? Ou compensa-te o investimento maior num Plug-in para carregar em casa à noite?







