Guardar fotos num disco externo? Há um inimigo que o apaga

Há um hábito que parece super sensato: Não vou pagar cloud. Meto as fotos todas num disco externo, guardo numa gaveta, e daqui a uns anos volto lá.  Só que… este plano tem um problema chato, invisível e mais comum do que imaginas: os ficheiros podem degradar-se sozinhos com o tempo, mesmo sem ninguém lhes tocar. O nome disso é bit rot (também conhecido como data decay ou degradação de dados). E sim: pode transformar aquele álbum de férias, vídeos de família e documentos importantes em ficheiros corrompidos que parecem existir… mas já não abrem. Assim atenção ao guardar fotos num disco externo para as preservar.

Bit rot: o perigo de guardar fotos num disco externo

De forma simples: bit rot é quando um “0” ou um “1” de um ficheiro muda sem autorização, por causa do desgaste natural do suporte onde está guardado. Nos discos rígidos (HDD), os dados são guardados magneticamente em zonas microscópicas do prato (platter). Um “1” e um “0” correspondem a orientações magnéticas diferentes. Com o passar dos anos, essa orientação vai perdendo força e estabilidade e um único “bit” que vire do lado errado pode estragar um ficheiro inteiro.

disco externo durar mais

E aqui está o pior do bit rot: não faz barulho.

Não é como um disco que morre de repente, o motor pára, ou começa a fazer click-click. O disco pode continuar a ser reconhecido, mostrar pastas e nomes, e até indicar o tamanho certo do ficheiro… mas por dentro, o conteúdo já não bate certo.

O resultado na prática

Num ficheiro de texto, podes notar só um carácter estranho.

Numa foto, basta um erro numa parte crítica (cabeçalho/metadata) para ela ficar impossível de abrir.

Num vídeo, um bit errado numa frame-chave pode dar erros, artefactos, pixelização, ou o ficheiro simplesmente não reproduz.

É a versão digital de teres um livro guardado anos e, quando o vais ler, descobrires que a tinta desapareceu… sem ninguém mexer nele.

hdd

Isto acontece muito?

É mais comum do que parece mas muita gente confunde com o disco avariou. O ponto aqui é: bit rot pode existir mesmo quando o disco parece saudável. E há um detalhe importante: os discos modernos têm mecanismos de correção de erros (ECC – error-correcting code). O problema? Esses mecanismos funcionam melhor quando o disco está ligado e a ler-se de vez em quando, porque o próprio firmware pode detetar erros e regravar dados para zonas mais fiáveis.

Calor e humidade: os aceleradores do desastre

Entretanto se há duas coisas que aceleram esta degradação, são: Calor e Humidade. Aquela caixa no sótão (quente) ou na garagem (húmida) é literalmente o cenário perfeito para transformar backups em lotaria. E não, isto não é só para HDD.

disco, hdd

E os SSD? Não são melhores?

Depende do objetivo. Para uso diário, SSD é ótimo. Para arquivo parado durante anos, pode ser pior do que um HDD. SSDs guardam dados com cargas elétricas em células. Se ficam muito tempo sem energia, essas cargas podem dissipar-se e os dados degradam-se. Em certas condições (e dependendo do tipo de NAND e do estado de desgaste), a retenção pode piorar bastante. Ou seja: aquele SSD externo todo moderno guardado desligado durante anos não é garantia de arquivo eterno.

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Bruno Fonseca
Bruno Fonseca
Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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