A retórica da União Europeia parece ser apenas uma… O único caminho de futuro é o carro elétrico. Mas, isso não pode ser 100% verdade. Por muito bom que seja o carro 100% elétrico, a realidade é que não é uma solução prática para todos.
Afinal de contas, se não consegues carregar em casa ou no trabalho, tens um pesadelo logístico pronto a dar cabo da tua vida, e talvez pior que isso, é um pesadelo caro.
Por isso, o GASIB veio lançar um balde de água fria para cima de quem ignora outras alternativas. Ou seja, a empresa defende que o GPL (Autogás) e o novo BioAutogás são peças fundamentais para descarbonizar Portugal de forma imediata, sem obrigar as famílias e as empresas a investimentos absurdos em frotas novas.
Como é de esperar, a transição energética não pode ser um tiro no pé da economia das pessoas. É preciso neutralidade tecnológica e soluções que funcionem hoje, não daqui a dez anos.
Os números que fazem pensar?
O GPL Auto não é apenas uma alternativa “barata” na bomba! Os dados de emissões são impressionantes e mostram que este combustível ainda tem muito para dar, apesar da má reputação que ganhou ao longo dos anos.
- Menos CO2: Redução até 20% face aos combustíveis tradicionais (e até 92% no caso do BioAutogás).
- Ar mais limpo: Redução de 99% de partículas e 96% de emissões de NOx face ao diesel.
- Menos ruído: Os motores a GPL são até 50% mais silenciosos, algo crucial para o ambiente urbano.
Poupança de 50% e autonomia de 1.000 km!
Entretanto, e como também seria de esperar, para o utilizador comum, o argumento mais forte continua a ser o bolso.
Isto porque abastecer com GPL permite uma poupança direta de até 50% por litro em comparação com a gasolina ou o gasóleo.
Sim, é verdade que um automóvel a GPL gasta mais combustível. Se um carro a gasolina gasta 5 litros aos 100, é provável que um carro a gás gaste 7 litros. Mas… O preço compensa, e com o renovado foco das fabricantes neste tipo de motorização, o consumo está a baixar, e de facto, a performance está a aumentar. Basta olhar para as gamas da Dacia, em que os mais recentes carros a GPL oferecem mais binários que os equivalentes a gasolina.
Além disso, não há a “ansiedade da autonomia” que ainda afeta muitos elétricos: um carro a GPL pode ultrapassar facilmente os 1.000 quilómetros de autonomia e o abastecimento é tão rápido como o de um carro convencional.
Retrofit: Não precisas de um carro novo?
Sim, já existem vários carros a sair das linhas de produção com motorizações a GPL. Mas, o retrofitting ainda existe.
Ou seja, em vez da obrigação da compra de um veículo novo, é possível adaptar carros ligeiros e até camiões industriais para passarem a usar GPL. É uma solução muito mais sustentável do que fabricar um carro do zero, especialmente quando a eletrificação de pesados ainda enfrenta grandes limitações operacionais e económicas.
A minha visão? É um erro estratégico focar todas as fichas apenas numa tecnologia.
O GPL é uma solução madura, com uma rede de postos já estabelecida e que permite resultados imediatos tanto no ambiente como na conta bancária dos portugueses. No final do dia, o consumidor quer eficiência e baixos custos, e o GPL continua a ser uma das formas mais inteligentes de atingir esses dois objetivos sem as dores de cabeça das infraestruturas de carregamento que ainda tardam em ser perfeitas.





