Quem acompanha os bastidores da indústria dos semicondutores sabe perfeitamente que o mercado de processadores para Inteligência Artificial virou uma autêntica mina de ouro. De facto, a NVIDIA deixou de ter foco nos jogadores, porque o dinheiro a sério está no lado da IA. E de facto, a NVIDIA continua a reinar quase sem oposição nos grandes servidores mundiais com as suas placas a preços proibitivos. Mas, nada dura para sempre. As outras gigantes da tecnologia não estão a dormir na forma e já perceberam que ninguém quer ficar refém de um único fornecedor.
Por isso, e ao que tudo indica, a Google e a AMD estão a trabalhar de mãos dadas no desenvolvimento de um novo chip Tensor (TPU) desenhado à medida para processar cargas de trabalho pesadas de inteligência artificial. Se esta aliança se confirmar nos moldes que estão a ser avançados, podemos estar perante uma das parcerias mais estratégicas e interessantes dos últimos anos no mundo do hardware.
Porque é que a Google precisa da AMD para desenhar silício?

É uma pergunta curiosa. Até aqui, a Google sempre tratou do desenho dos seus próprios TPUs (Tensor Processing Units) nos centros de dados da Google Cloud de forma quase autónoma, enquanto nos smartphones Pixel se apoiava em núcleos de terceiros para os seus chips móveis. Então, por que razão bateu à porta de Lisa Su?
A resposta resume-se a experiência pura de arquitetura. Segundo detalhes que chegaram agora à Internet, a Google quer tirar partido do conhecimento da AMD em áreas onde a equipa de Mountain View ainda não tem o mesmo “know-how”.
- Propriedade intelectual de CPUs e lógica avançada: A AMD domina como poucos a integração de núcleos de processamento de alto rendimento e instruções complexas.
- Tecnologia de núcleos empacotados (On-Package Cores): A capacidade de colocar núcleos de computação geral diretamente no mesmo invólucro do processador neural, garantindo menor latência, eficiência energética superior e um salto brutal no processamento de modelos de linguagem como o Gemini.
O que é que isto significa para quem compra telemóveis?
Para já, convém meter os pés na terra. Este projeto conjunto entre a Google e a AMD está a ser pensado para os servidores e infraestruturas massivas na nuvem, e não propriamente para meter dentro do bolso do consumidor comum já amanhã.
Mas, quem sabe se no futuro a coisa não chega aos smartphones. Seria inteligente! Até porque a Google já desenha os seus próprios SoC. Podia fazer o mesmo que a Samsung fez com a AMD há alguns anos na parte gráfica da coisa. Uma parceria para aprender, e talvez mais importante que isso, ser diferente de todas as outras fabricantes de chips.







