Normalmente, no mundo dos smartphones (e não só), existe sempre uma corrida ao processo de produção mais recente, mais poderoso e, por isso, também mais eficiente. No dias que correm, é uma das únicas maneiras de ter ganhos de performance a sério, e como tal, o investimento é absurdo.
Mas… no caso da Google com os novos Pixel 11, isso não vai acontecer. Aliás, a gigante norte-americana decidiu “esconder” o processo utilizado no Tensor G6, o seu novo SoC.
Google disse “não” à tecnologia mais recente. Porquê?

A Google nunca esteve muito interessada no último grito tecnológico do mercado. O que sempre foi muito curioso. De facto, os smartphones Pixel, até os Pro, nunca foram portentos de processamento ou gráficos. A ideia sempre foi oferecer um SoC personalizado capaz de fazer tudo, sempre com um enorme foco na Inteligência Artificial.
Ainda assim, a Google decidiu abandonar a Samsung e saltar para as linhas da TSMC de forma a ir buscar tecnologia mais recente e poderosa. Por isso, houve ali uma pequena esperança de que a coisa fosse mudar, numa demonstração de uma Google interessada em bater de frente com as gigantes do mercado.
O que até fazia sentido, porque a grande maioria das críticas à volta dos Pixel, existe pela sua falta de performance face às restantes alternativas de topo do mercado. Aliás, se a Google fosse apostar a sério nos smartphones Pixel, seria uma espécie de Apple dentro do ecossistema Android. O que seria incrível, e na minha opinião necessário.
Mas, em 2026, no meio de uma crise absurda no lado da memória, tudo indica que isso foi um pensamento sem grande fundamento.
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Aliás, a situação é tão insólita que nem as habituais aplicações de diagnóstico do Android (como o DevCheck, que lê diretamente a informação do hardware) estão a conseguir detetar a litografia do Tensor G6 nos modelos de teste.
Curiosamente, a Google até veio a público gabar-se de que a CPU do Tensor G6 oferece “até 20% mais eficiência energética” do que o “velhinho” Tensor G5. À primeira vista, isto podia sugerir o salto para uma litografia mais avançada e eficiente. Mas há um pequeno “truque” na equação que a marca preferiu não destacar… A Google cortou literalmente um núcleo de processamento na configuração da CPU (passou a uma estrutura de 7 núcleos).
Ou seja, gastar menos energia à custa de cortar hardware é matemática pura.
Faz sentido a Google pagar por 2nm? Não, e até podemos dizer isso de mais fabricantes.
Se olharmos para a realidade do mercado, tudo indica que a Google manteve o Tensor G6 no processo de 3nm (N3P) da TSMC. E, para ser perfeitamente honesto, do ponto de vista financeiro faz todo o sentido para a empresa.
Os smartphones Pixel continuam a representar uma quota de mercado pequena quando comparados com os volumes brutais da Samsung ou da Apple. Por isso, pagar uma fortuna à TSMC por wafers de 2nm seria um deitar de dinheiro à rua. Especialmente quando a performance pura e dura não é objetivo da fabricante.
Mais concretamente, a Google preferiu focar o orçamento no reforço da TPU (que está 50% mais potente para processar a inteligência artificial do Gemini no próprio dispositivo) e num chip de segurança Titan M3 atualizado. Se isso é uma boa decisão, apenas as análises aos Pixel 11 vão ser capazes de responder.
Aliás, acredito cada vez mais que andar atrás do último grito tecnológico não é vantajoso para ninguém. Andamos a deixar a eficiência do código que dá vida a todo o software que se utiliza no dia-a-dia, para meter mais e mais hardware em cima dos produtos. Depois, acontece o que está a acontecer agora, que o hardware está a encarecer de forma absurda, e depois somos obrigados a pagar autênticos balúrdios por aparelhos que, no fim do dia, não mudaram assim tanto.
Achas que a Google fez bem em poupar na litografia do processador para investir na IA ou o Pixel 11 devia ter a tecnologia mais recente do mercado? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.






