Google Chrome vai mudar (muito) em 2026, queiras ou não

Durante anos, o Google Chrome foi “só” um browser rápido, simples e omnipresente. Rapidamente ganhou quota de mercado, e empurrou outros clássicos como o Internet Explorer, Firefox e Opera, para os cantos do mundo da Internet.

Em 2026, isso deixa de ser verdade. Não porque vai acabar, mas sim porque o Chrome entra oficialmente na sua era da IA. Ou seja, vai contar com uma integração profunda do Gemini diretamente no browser.

Isto significa que a Google não quer reinventar o Chrome. Em vez disso, quer torná-lo mais “inteligente”. O problema é que nem toda a gente pediu isso, e isso abre sempre a porta a problemas.

Google Chrome vai mudar (muito) em 2026, queiras ou não

Chrome gastar memória

A novidade chama-se Gemini in Chrome, e passa a estar disponível através de um painel lateral dedicado. Um clique, e tens um chatbot sempre presente enquanto navegas, pronto a ajudar, pesquisar, resumir, comparar ou até executar tarefas online por ti.

Imagina que estás numa corrida, e tens um copiloto ao teu lado, para o que precisas. É isto. Pode ser engraçado para algumas pessoas, mas… Vai ser também irritante para quem detesta ver IA em todo o lado.

Um painel lateral que nunca mais te larga?

O Gemini passa a viver num painel lateral do Chrome, acessível a qualquer momento. O site continua visível, e a IA ocupa o lado direito do ecrã. Podes pedir-lhe para pesquisar informações, comparar dados entre separadores abertos ou até explicar o que estás a ver, sem saíres da página.

Na prática, o Chrome transforma-se num browser com copiloto permanente. Tudo o que o Gemini faz fica registado ali mesmo, passo a passo, incluindo os resultados finais.

É multitasking elevado ao extremo, mas também é mais uma camada de complexidade num browser que sempre viveu da simplicidade.

Auto Browse: a IA começa a navegar por ti

Aqui está, provavelmente, a mudança mais polémica.

O Auto Browse permite ao Gemini navegar na web em teu nome. Pode visitar sites, analisar conteúdos, preencher formulários, comparar preços ou organizar informação com base num pedido teu.

A Google mostrou exemplos como planear uma festa temática, procurar hotéis dentro de um orçamento específico ou gerir favoritos em sites imobiliários. Tudo isto sem o utilizador mexer no rato.

Mas atenção. Esta funcionalidade não é gratuita. Vai exigir subscrição Google AI Pro ou AI Ultra.

E há outro detalhe importante. A IA não pode concluir ações sensíveis sozinha. Compras, publicações ou decisões finais continuam a exigir confirmação humana. Pelo menos, para já.

Apps ligadas, dados ligados, contexto ligado

O Gemini no Chrome também passa a ligar-se diretamente a várias apps da Google. Gmail, Calendar, YouTube, Maps, Shopping e Flights estão todas na lista.

Isto significa que podes pedir algo como “ajuda-me a planear um fim de semana em Madrid” e a IA cruza datas do calendário, localização, voos disponíveis e sugestões de atividades.

É prático. É poderoso. E levanta, inevitavelmente, questões sobre privacidade, mesmo com a Google a garantir que o controlo continua do lado do utilizador.

Criar imagens sem sair do browser

Outra novidade chama-se Nano Banana, o modelo de geração de imagens da Google, agora integrado diretamente no Chrome.

Em vez de abrir outra app, podes pedir ao Gemini para editar uma imagem, criar um gráfico ou gerar uma ilustração a partir de algo que já está no browser. O resultado aparece no painel lateral, pronto a ser usado.

As imagens têm watermark, e a funcionalidade é opcional, mas é mais um passo claro na transformação do browser numa ferramenta criativa, não apenas de navegação.

Personal Intelligence: o Chrome começa a lembrar-se de ti

Esta funcionalidade chega mais tarde, mas é talvez a mais sensível.

O Personal Intelligence permite ao Gemini recordar contextos de conversas anteriores e usar essa informação para personalizar respostas futuras. Em teoria, isto torna a IA mais útil. Na prática, torna-a mais presente na tua vida digital.

A Google garante que o acesso a apps pode ser revogado a qualquer momento. Ainda assim, estamos a falar de um browser que começa a construir memória sobre o utilizador.

Conclusão: Isto é a forma da Google de roubar clientela ao ChatGPT

O mundo da tecnologia está sempre a mudar, mas também é extremamente resistente à mudança.

Ou seja, quem já está feliz a usar o ChatGPT, não quer aprender a mexer em uma outra plataforma. Por isso, a Google agarrou no Gemini, e espetou-na na cara de todos os utilizadores do Chrome.

A ideia é simples… Para quê ir ao ChatGPT, se o Gemini está logo ali.

No fundo, é um pouco daquilo que a Microsoft tentou fazer com o seu Copilot, mas falhou redondamente.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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