Games: A Inteligência Artificial está a ganhar terreno!

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Podíamos começar por dizer que ainda existem jogos que a Inteligência Artificial não consegue vencer mas a verdade é que são cada vez menos. A tecnologia está a avançar rapidamente e os investigadores na área da Inteligência Artificial gostam do desafio de tentar derrotar os melhores jogadores humanos, por isso dedicam cada vez mais hora a aperfeiçoar as suas criações… E os resultados começam a ser visíveis.

Adam Nadel/Associated Press

No Xadrez, a primeira disputa entre um computador e um humano remonta a 1978, em Toronto, conta a BBC. David Levy era campeão de xadrez mas só conseguiu ganhar três dos cinco jogos contra a máquina. Conseguiu continuar a ganhar até a primeira grande derrota contra o Deep Thought, em 1989.

Mas o grande marco aconteceu mais tarde, em 1997, quando o Campeão do Mundo de Xadrez, Garry Kasparov, perdeu contra o supercomputador da IBM, Deep Blue. A derrota foi noticiada por todo o mundo e deu início a uma nova era, em que se pretende que o computador não seja sempre o oponente mas se torne o melhor assistente do jogador humano. Desta forma, unem-se os dois tipos de cérebro – o intuitivo e o analítico – numa espécie de cyborg que tornará qualquer amador num campeão.

Lee Jin-man / AP

A experiência de Lee Sedol contra o AlphaGo provou, precisamente, que os humanos ainda podem aprender muito com a Inteligência Artificial.

Leon sabia todos os truques e era considerado um dos melhores e mais experientes jogadores do complexo jogo de tabuleiro Go. No entanto, na sua primeira disputa com o jogador AlphaGo, criado pela Google DeepMind, Leon mostrou que não era invencível. Perdeu com uma margem de 4-1.

Mas no final a sensação não era de frustração e sim de surpresa. A disputa entre máquina e humano deu origem a um espetáculo incrível de novas jogadas, soluções brilhantes e criativas e, no fim, a toda uma nova perspetiva sobre o jogo – mesmo para os jogadores de longa data. Podem acompanhar todas as jogadas e respetiva análise aqui.

Katherine Arcement / Washington Post

A mais recente disputa entre homem e máquina aconteceu em janeiro deste ano, à mesa. Neste caso, a de Poker. Se ainda havia dúvidas sobre a importância do blefe e da interação entre os jogadores na magia do Poker, deixou de haver. A Inteligência Artificial ganhou a dois jogadores consagrados de Poker mas tudo não passou de um jogo aborrecido e sem emoção, onde um dos jogadores, o computador Liberatus, tomou todas as decisões sobre a máscara fria e sem expressão de uma máquina.

Este conceito de Poker mais frio e distante é um dos factores do Poker jogado pela internet através dos ecrãs, mas é também por isso que nunca deixará de haver Poker de mesa. Numa entrevista à Bloomberg, Eric Hollreiser, porta-voz da Pokerstars, referiu isso mesmo: “Esta questão limita qualquer ameaça da Inteligência Artifical ao Poker (…). Ainda que de uma forma funcional e básica a máquina imite o Poker, isto é demasiado for a da realidade do que acontece nas mesas”.

Mais uma vez, na linha da discussão que as anteriores disputas levantaram, o futuro deverá passar não pela substituição do jogador humano ou do confronto entre homem e máquina mas na formação de uma equipa funcional e imbatível: o ser humano contribui com as suas capacidades intuitivas e ideias de estratégia a longo-prazo enquanto o computador verifica todos os movimentos e simula os próximos passos.

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