Quantas vezes já te aconteceu estares enfiado num comboio ou no metro em hora de ponta, ou sentado na esplanada com malta ao lado, e precisares de abrir a aplicação do banco para ver o saldo ou responder a uma mensagem privada no WhatsApp?
Se tens alguém colado ao teu ombro a tentar espreitar, a reação imediata é baixar o brilho todo, meter a mão à frente do ecrã ou bloquear logo o telemóvel. A Samsung até tentou resolver isto ao introduzir a tecnologia de hardware Privacy Display no Galaxy S26 Ultra para tapar a visão aos mirones de lado. Só que a implementação deles pecava pelo mesmo de sempre: falta de flexibilidade.
(Como é normal, estamos a falar da primeira geração)
Ou seja, escurecias o painel todo, ou não fazias nada.
Pois bem, a Xiaomi chegou com a recente série 18 Pro e deu uma lição de software com o escurecimento cirúrgico em ecrã dividido. E o que é que a gigante sul-coreana vai fazer agora? Vai engolir o orgulho e copiar descaradamente o truque dos chineses! O conceituado leaker Ice Universe revelou que o futuro Galaxy S27 Ultra vai adotar esta mesma funcionalidade dinâmica: vais poder tapar a visão apenas a uma única aplicação enquanto continuas a ver vídeos ou a navegar na internet ao lado com o brilho no máximo! Finalmente alguém em Seul percebeu como o multitarefa deve funcionar no mundo real!
A Samsung passa anos a fio a gabar-se de ter os melhores painéis OLED do planeta, e de facto tem, ninguém lhes tira esse mérito. Mas, na hora de criar software prático que tire partido desse músculo, parece que alguém conseguir ficar à frente.
Podemos até dizer que adormeceram à sombra da bananeira e deixam os chineses inventar primeiro.
Como funciona o truque? Privacidade cirúrgica sem estragar o resto

A premissa é tão óbvia e bem pensada que custa a acreditar que a Samsung não se lembrou disto logo no início. Ou seja, em vez de transformar o ecrã inteiro num borrão escuro quando queres esconder dados sensíveis, o sistema passa a funcionar de forma independente por janela.
Na prática diária, a experiência muda da noite para o dia:
- Proteção seletiva em ecrã dividido: Podes ter o YouTube ou um artigo aberto na metade superior do ecrã perfeitamente legível e com as cores no máximo. Isto enquanto a metade inferior, onde tens o teu banco ou uma conversa privada, fica com o filtro de privacidade ativo e invisível para quem estiver ao teu lado.
- Ajuste em tempo real: Conforme arrastas a barra divisória do ecrã para dar mais ou menos espaço a uma aplicação, a camada de escurecimento adapta os seus limites instantaneamente ao tamanho exato dessa janela.
O hardware da Samsung com o génio de software da Xiaomi por trás.
Como é óbvio, a Samsung continua a dar cartas na tecnologia pura de ecrãs. Segundo o próprio Ice Universe, a capacidade de escurecimento ótico e o bloqueio de ângulos de visão a nível de hardware nos painéis da Samsung continuam a ser substancialmente mais potentes e eficazes do que aquilo que a concorrência consegue entregar.
O problema da Samsung nunca foi o hardware; foi a lentidão de raciocínio na interface. A marca habituou-se a criar ferramentas brutais e depois limitá-las a opções binárias de “ligar/desligar”. Ter a Xiaomi a espicaçar a gigante sul-coreana e a obrigá-la a mexer-se antes do lançamento do S27 Ultra no início de 2027 é a melhor coisa que podia acontecer ao consumidor.
Se a Samsung conseguir casar o seu poderio de hardware no painel com esta versatilidade de software que a Xiaomi estreou, o Galaxy S27 Ultra vai ter, sem grandes espinhas, o sistema de privacidade mais completo e funcional de todo o mercado mobile.
A concorrência chinesa continua a fazer o trabalho de casa, e ainda bem.
Isto prova mais uma vez aquilo que temos dito aqui na Leak vezes sem conta. Acontece que, a arrogância das marcas tradicionais é o seu pior inimigo. Se não fossem marcas como a Xiaomi, a Oppo ou a Vivo a inventarem soluções arrojadas… A Samsung continuava confortavelmente sentada a lançar exatamente o mesmo telemóvel ano após ano com pequenas melhorias cosméticas.
Vale a pena dizer que copiar boas ideias não tem mal nenhum, a tecnologia sempre avançou assim.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que esta privacidade seletiva por aplicação faz falta no teu dia a dia em transportes ou no café? Ou para ti estas funções de ecrã dividido são apenas floreados que acabas por nunca usar no telemóvel?






