A morte do Galaxy Note é curiosa. Porque, no fim do dia, é o fim de uma era que também serviu para tentar ganhar mais dinheiro.
Antes dos Folds e Flips, a Samsung tinha um calendário muito simples. Início do ano lançava o Galaxy S, e no verão, era altura de dizer olá aos Galaxy Note. Curiosamente, um calendário muito similar ao da Huawei, que primeiro lançava os P, e depois os Mate.
Mas, isso mudou há alguns anos, mais concretamente entre o Note 20 Ultra e o S22 Ultra. A Samsung decidiu acabar com a gama Note, para a combinar com a gama Galaxy S. Entretanto, no verão, demos as boas vindas aos Galaxy Z (os dobráveis).
Galaxy Note deixou um “Buraco”. Ninguém o tapou?

Portanto, lançado originalmente em 2011, o primeiro Note foi motivo de piada para muito boa gente devido ao seu tamanho gigantesco para a época e à inclusão da famosa S Pen. Resultado? Tornou-se um sucesso absoluto e criou o segmento dos “phablets”. No entanto, após o lançamento da série Galaxy Note 20 em 2020, a marca decidiu arrumar a gama na gaveta de vez. Mas porquê matar uma das linhas mais amadas pelos utilizadores?
A verdade nua e crua é que a Samsung precisava desesperadamente de limpar a imagem e reorganizar a sua linha de topo de gama para puxar os preços ainda mais para cima.
O desastre do Note 7 e a morte anunciada da marca
O primeiro grande prego no caixão foi espetado em 2016 com o escândalo das baterias explosivas do Galaxy Note 7. A recolha de mais de 2,5 milhões de unidades e a proibição do smartphone em aviões em todo o mundo foram um pesadelo de relações públicas sem precedentes. A palavra “Note” ficou associada a perigo de incêndio, e apesar do esquecimento… A realidade é que a Samsung nunca mais recuperou os níveis de confiança.
A solução da Samsung foi pura cosmética estratégica. No Mobile World Congress de 2022, a marca confirmou aquilo que já todos tínhamos percebido: o Note não morreu, simplesmente mudou de nome para Ultra. Pegaram na essência do Note, espetaram-lhe a S Pen guardada no próprio corpo e renomearam-no como o topo de gama da série Galaxy S, enquanto empurravam quem queria um ecrã verdadeiramente gigante para os dobráveis da linha Z Fold.
Esquece o regresso: O Note nunca mais vai voltar!
Se és daqueles que ainda sonha com o regresso do nome Note, podes tirar o cavalinho da chuva. O nome ficou manchado e a estratégia atual da Samsung está a funcionar às mil maravilhas para os seus cofres. Aliás, para quem ainda anda com um velhinho Note 20 na mão, a própria Samsung já cortou as atualizações de segurança e o suporte oficial, deixando o aparelho vulnerável e com a bateria a pedir a reforma.
Se queres aquela experiência hoje em dia, a marca quer que gastes uma pipa de massa num Galaxy S26 Ultra ou que vás ao charco financeiro para comprar um Galaxy Z Fold 8. No fundo, a essência do Note continua bem viva, mas agora custa significativamente mais dinheiro do que custava há uma década.







