O Futebol Feminino apareceu do nada, como uma explosão enorme. Pelo menos, foi assim que as coisas se sentiram em Portugal. Parece que não se dava qualquer importância, e do nada, apareceram equipas um pouco por todo o lado. Dito isto, durante os últimos anos fartámo-nos de ouvir discursos inflamados sobre como o futebol feminino era o próximo grande fenómeno financeiro do desporto mundial.
E aqui não me entendam mal. A evolução técnica das atletas é inegável, a visibilidade cresceu e o mediatismo aumentou. Mas uma coisa é o mediatismo e a propaganda nas redes sociais. Outra coisa, completamente diferente, são as folhas de cálculo dos operadores que têm de pagar as contas no fim do mês.
Dito tudo isto, temos uma nova situação em Espanha, com a Liga F (a principal liga feminina espanhola, onde jogam estrelas do Barcelona e do Real Madrid, e onde há o maior investimento no desporto). A cerca de duas semanas do apito inicial da nova época, nenhuma estação de televisão ou plataforma de streaming quis comprar os direitos de transmissão pelos valores mínimos exigidos.
A realidade disse “olá“? Num mundo em que campeonatos masculinos como o nosso também parecem viver no mundo da lua, ao tentar vender os direitos por valores que ninguém vai querer pagar. O futebol feminino também parece ter aterrado finalmente na base da realidade.
O leilão que ninguém quer!

Para percebermos como se chegou a este ponto crítico, convém olhar para o histórico recente. A plataforma DAZN tinha assumido um contrato a pagar cerca de 7 milhões de euros por época para transmitir a competição.
No entanto, perante audiências residuais e a incapacidade de gerar assinaturas que cobrissem os custos astronómicos de produção e transmissão. A operadora rasgou o acordo mais cedo devido ao prejuízo acumulado.
Assim, perante a saída da DAZN, os organizadores da liga tentaram salvar a face e abriram um novo concurso com preços revistos em baixa:
- 5 milhões de euros pelo lote completo de jogos em canal fechado/streaming pago.
- 2 milhões de euros pelo lote de jogos em canal aberto.
- 800 mil euros pelos direitos internacionais de transmissão.
O resultado? Zero propostas válidas. Ninguém quis cobrir os valores mínimos.
Por isso, a organização viu-se agora obrigada a abrir um novo leilão de recurso à pressa. A escassos dias do campeonato começar. Desta vez sem qualquer preço mínimo de reserva. O risco real é os direitos acabarem entregues por valores puramente simbólicos ou, no pior dos cenários, os jogos arrancarem sem qualquer transmissão televisiva regular.
Qual foi o grande erro?
Isto não é uma questão de má vontade das televisões. É pura e simples matemática de mercado.
O futebol feminino pode ter muito por onde crescer. Mas, vai precisar de tempo para crescer. Não pode começar e aparecer do nada, e imitar no imediato o lado masculino. O dinheiro não está lá, porque a audiência também não está.
Não quero parecer machista, mas não conheço muitas mulheres a ver religiosamente futebol. E mesmo aquelas que o fazem, acabam por não dar muita atenção ao lado das “meninas”.
Assim, enquanto ligas como a inglesa já perceberam que o caminho para criar público passa por dar transmissões gratuitas em plataformas como o YouTube para consolidar a comunidade, em Espanha quis-se dar um salto maior do que a perna.
Achas que o futebol feminino tem de rever a sua estratégia e apostar em transmissões gratuitas para crescer ou o desinteresse das televisões é apenas temporário? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







