O Rock in Rio voltou a Lisboa e, como não podia deixar de ser, instalou-se novamente no Parque Tejo. Afinal de contas, temos de justificar o investimento feito na altura das Jornadas Mundiais da Juventude. Mas, tal como já tinha acontecido na edição anterior, o afamado palco do Papa serviu apenas para… Press Center e casas de banho.
Sim, leste bem. O maior festival que passa por cá de dois em dois anos simplesmente ignora o palco que custou uma fortuna aos contribuintes. Um palco que começou nos 4.7 milhões de euros e foi “cortado” para 2.7 milhões.
A organização prefere montar uma estrutura própria porque o monstro de betão que já lá está não oferece as condições técnicas necessárias para os espetáculos. Isto é algo que deveria irritar profundamente os portugueses. Porque… É um “mono” sem qualquer utilidade que ali está todos os dias.
O Parque Tejo é um autêntico “downgrade” face à Bela Vista
Para quem se lembra dos tempos áureos na Bela Vista, o espaço atual é uma desilusão. Levamos com pó na cara o dia todo, mesmo quando não está grande vento. Se quiseres fugir do sol abrasador, os espaços com sombra são uma raridade, a não ser que tenhas a sorte de ter uma pulseira para entrar nas áreas VIP dos patrocinadores.
Além de tudo isto, como se não bastasse, o terreno é demasiado plano, o que é péssimo para a propagação do som e para a visibilidade do público. Aliás, para ser possível enfiar ali todos os palcos sem que o som se atropele, a organização teve de os afastar imenso uns dos outros.
Se queres ver artistas em palcos diferentes, prepara-te para caminhar quilómetros e navegar no meio de um autêntico oceano de 100 mil pessoas.
Entrar é difícil. Mas, sair de lá é um teste de sobrevivência!
No entanto, na minha opinião, o pior de tudo é mesmo a dor de cabeça que é chegar e sair do recinto.
A Bela Vista tinha uma estação de Metro literalmente à porta e excelentes acessos pedonais. O Parque Tejo? Nem por isso. Tentar chegar lá é um pesadelo de estradas cortadas e trânsito caótico.
E a saída consegue ser ainda pior. Eu vi, com os meus próprios olhos, filas intermináveis que demoravam facilmente duas ou três horas para conseguir entrar nos autocarros da Carris. Quem foi para lá a confiar na promessa dos Shuttles rápidos… Bem… Boa sorte.
No fim do dia, o festival cresceu em tamanho, mas a nível de experiência e respeito pelo público, parece ter atingido o limite. Acho muito bem que aquela área tenha sido aproveitada, porque a cidade cresceu e ganhou um espaço com potencial. Mas, para festivais… Não me parece.




