A tecnologia de condução autónoma da Tesla, o famoso Full Self-Driving (FSD), é um dos temas que mais divide opiniões no mundo da tecnologia e dos automóveis. Elon Musk continua a prometer um futuro onde os carros conduzem sozinhos, mas a realidade das ruas é sempre um pouco mais complexa.
Dito isto, o caso mais recente chega do Texas e tem contornos dramáticos. Ou seja, um Tesla Model 3 invadiu uma casa, matou uma idosa de 76 anos e o condutor enfrenta agora uma acusação de homicídio por negligência.
Como seria de esperar, o condutor tentou sacudir a água do capote e culpar o sistema da Tesla. No entanto, a investigação policial foi analisar a “caixa negra” do veículo e o resultado deitou por terra a desculpa da Inteligência Artificial.
A desculpa do condutor vs. os dados do acelerador
Portanto, o acidente aconteceu quando o condutor, um homem de 44 anos que estava a trabalhar como estafeta da DoorDash, perdeu o controlo do Model 3 num bairro residencial. A viatura saltou da estrada e entrou direita pela casa de Martha Avila, que acabou por falecer no hospital. Aos paramédicos e à polícia, o homem garantiu que o Tesla ia em modo FSD e que ele simplesmente “apagou-se” ou perdeu os sentidos enquanto tentava mudar de música no enorme ecrã central do carro.
Entretanto, os testes toxicológicos confirmaram que não havia álcool nem drogas no organismo.
O problema para este condutor é que os carros modernos registam absolutamente tudo. Ao apreenderem a caixa negra e as imagens das câmaras do carro, os investigadores descobriram que o condutor carregou manualmente no pedal do acelerador várias vezes consecutivas dentro do bairro, anulando a velocidade máxima definida pelo próprio FSD.
Pior? O carro atingiu uns astronómicos 117 km/h (73 mph) numa zona residencial de velocidade muito reduzida. Para piorar a sua situação no tribunal, os dados mostram que o pedal do travão não foi tocado uma única vez no minuto que antecedeu o embate.
Até a Tesla se desmarcou.
IMAGEM
Os próprios executivos da Tesla vieram a público desmentir a versão do condutor, recorrendo às redes sociais para esclarecer que o homem manteve o pé fincado no acelerador mesmo depois do embate na habitação. A marca relembra o óbvio. O FSD, apesar do nome pomposo, continua a ser um sistema de assistência à condução. Ou seja, exige que o humano esteja atento com as mãos no volante, pronto a travar a qualquer segundo.
A polícia foi ainda vasculhar o telemóvel do acusado e descobriu um detalhe bizarro. Afinal de contas, várias pesquisas no Google onde o condutor se queixava e mostrava frustração. Mais concretamente por o FSD da Tesla não ser “suficientemente agressivo” no trânsito. Isto mostra bem o perfil de quem confia demasiado na tecnologia e tenta esticar a corda além dos limites de segurança.





