Não tem botão eco, não tem programa de poupança e nunca o desligas. O frigorífico trabalha 24 horas por dia, 365 dias por ano e é precisamente por isso que é um dos eletrodomésticos que mais pesa na tua conta da luz sem que dês por isso. Consoante o aparelho, o frigorífico e o congelador chegam a representar entre 10% e 25% da conta da luz. No verão, com o calor, esforçam-se ainda mais. A boa notícia: uns quantos gestos simples cortam esse custo e ainda fazem o aparelho durar mais.
Frigorífico e a conta da luz: a temperatura errada
Muita gente acha que quanto mais frio, melhor. É o contrário. A temperatura ideal do frigorífico anda entre os 3 e os 5 °C, e o congelador nos -18 °C. Cada 1 °C abaixo do necessário representa entre 5% e 10% de energia gasta a mais e no congelador, cada grau abaixo dos -18 pesa mais 1% a 2%.

No verão, regula o frigorífico para a zona mais baixa desse intervalo (3 a 4 °C), já que o calor ambiente dificulta a estabilização. Mas não vás além disso: estás só a queimar dinheiro sem conservar melhor os alimentos.
O gelo que te sai do bolso
Aquela camada de gelo que se forma no congelador não é inofensiva, funciona como um isolante que obriga o motor a trabalhar muito mais para manter o frio. Deves descongelar antes de a camada atingir os 3 milímetros, e isso pode poupar até 30% no consumo do aparelho. Se tens um modelo No Frost, estás livre desta tarefa; se é estático, conta com duas descongelações por ano.
Deixa-o respirar: as costas e o pó
Este é o erro invisível. O frigorífico liberta calor pela parte de trás e precisa de espaço para o dissipar, deixa pelo menos 5 centímetros entre as costas do aparelho e a parede. Encostá-lo demais faz o motor esforçar-se.
Pior ainda é o pó. A serpentina ou as grelhas traseiras cheias de pó podem reduzir a eficiência até 25%. Uma passagem de aspirador uma ou duas vezes por ano resolve em dois minutos e nota-se na fatura. E, já agora, não o instales ao lado do forno nem em sítios com sol direto: quanto mais quente estiver à volta, mais ele trabalha.

Os hábitos de verão que fazem a diferença
Há pequenos gestos do dia a dia que somam. Deixa a comida arrefecer antes de a guardar, meter panelas quentes lá dentro pode aumentar o consumo até 8%. Abre a porta só o necessário, sobretudo nos dias de mais calor, porque cada abertura deixa entrar ar quente que o aparelho tem depois de compensar. Verifica as borrachas da porta: se estiverem gastas ou a deixar passar ar, o frio foge e a conta sobe. E mantém-no razoavelmente cheio, um frigorífico com alguma carga segura melhor a temperatura, sem o entupir ao ponto de o ar não circular.
E se vais de férias?
Não deixes o frigorífico a trabalhar como se estivesse cheia a casa. Para ausências curtas, sobe a temperatura para uns 7 °C, poupas sem risco de estragar o que lá fica. Para ausências longas, o melhor é esvaziar, descongelar e deixar as portas abertas, para evitar bolor e cheiros.
Um último apontamento para quem pensa em trocar de aparelho: a etiqueta energética não é decoração. A diferença entre um frigorífico de classe A e um de classe D pode chegar aos 120€ por ano, mais de 1.200€ ao longo de dez anos.







