Hoje em dia, as câmaras dos nossos telemóveis evoluíram ao ponto de gravarem com qualidade quase profissional. Mas há um fenómeno irritante que de certeza já te estragou um vídeo ou uma qualquer foto. Ou seja, gravas num espaço bem iluminado por lâmpadas LED e, quando vais ver o resultado, o ecrã parece uma discoteca dos anos 80, a piscar por todo o lado.
Isto tem uma explicação científica muito simples, e sim, há formas de contornar este problema..
O culpado disto é o chamado efeito estroboscópico. Na verdade, as luzes LED estão constantemente a ligar e a desligar a uma velocidade incrível. Os teus olhos e o teu cérebro são simplesmente demasiado lentos para perceber isso, dando-te a ilusão de que a luz é contínua.
Mas as câmaras funcionam de forma diferente. De facto, isto não acontece apenas e só com as luzes à tua volta, também acontece com ecrãs.
A ciência por trás do “pisca-pisca” que os teus olhos não veem
Tudo se resume à corrente alternada (AC) que alimenta as nossas casas. A eletricidade viaja em ciclos medidos em Hertz (Hz). Em Portugal e no resto da Europa, a frequência da rede elétrica é de 50 Hz. Isto significa que, num único segundo, a corrente muda de direção e faz com que a lâmpada pisque exatamente 100 vezes. Como o cérebro humano processa a visão de forma contínua e não como uma sequência de fotos, tu não notas nada.
As câmaras, por outro lado, funcionam capturando uma sequência de imagens estáticas a uma determinada velocidade (fotogramas por segundo ou FPS). O piscar preto que vês no vídeo acontece porque o obturador da câmara abriu exatamente no microsegundo em que o LED se desligou no seu ciclo normal.
Também existem efeitos ondulados quando tiras fotos a ecrãs, por causa disto mesmo. A câmara capturou a imagem no momento em que alguns LEDs estavam desligados.
Como resolver o problema e limpar os teus vídeos?
IMAGEM
Se estás a sofrer com isto, a tua primeira linha de defesa é ajustar as configurações da câmara. No cinema, existe a regra dos 180 graus: a velocidade do obturador (shutter speed) deve ser o dobro dos FPS. Se estás em Portugal (rede de 50 Hz), deves garantir que a velocidade do obturador é divisível por 50 (como 1/50 ou 1/100).
O grande problema é que as aplicações nativas da maioria dos smartphones não te deixam controlar a velocidade do obturador no modo de vídeo. Para resolver isto, podes descarregar aplicações de câmara de terceiros que dão controlos manuais “profissionais”, ou jogar pelo seguro e usar uma câmara fotográfica ou de vídeo dedicada.
Se nada disto funcionar ou se não te quiseres chatear com definições técnicas, a solução final passa mesmo por mudar as lâmpadas do teu espaço. Muitas lâmpadas LED baratas não têm bons componentes de filtragem de corrente. Há utilizadores que resolveram o problema simplesmente ao trocar as lâmpadas lá de casa por variantes LED de alta qualidade e com certificação “anti-flicker” (sem cintilação) à venda na internet. O circuito destas lâmpadas estabiliza a energia e limpa o vídeo por completo, sem que tenhas de mexer numa única definição do telemóvel.




