Uma coisa boa das gravações automáticas, é que podes passar os anúncios à frente, quase como se fosse conteúdo de uma plataforma de streaming. Mas, quem é cliente da MEO, da NOS ou da Vodafone lembra-se perfeitamente daquele momento irritante em que ia ver um programa gravado na televisão e, do nada, levava com 30 segundos de publicidade obrigatória em cima.
Parecia sem sentido, mas a desculpa era a do costume! Inovação, sustentabilidade do mercado e blá-blá-blá.
De facto, naquela altura, até houve consumidores a tentar mudar de operadora. Mas, todas faziam o mesmo. Pois bem, a Autoridade da Concorrência (AdC) acabou de confirmar que as coisas não podiam funcionar assim. Aliás, até existe uma multa de 13.35 milhões de euros em cima da mesa.
É simples, num mercado onde os portugueses já pagam das telecomunicações mais caras da Europa e exigem respeito, fará algum sentido estas marcas continuarem a combinar rasteiras nas costas dos clientes?
30 segundos de anúncios só porque sim?
De facto, a história já remonta a 2019, mas a machadada final da AdC só chegou agora.
Ou seja, segundo a investigação do regulador, a MEO, a NOS, a Vodafone e a Accenture criaram um “acordo anticoncorrência” puro e duro para enfiar anúncios de meio minuto nas gravações dos clientes.
De facto, fica a ideia de que a estratégia foi desenhada ao milímetro! As três operadoras decidiram avançar ao mesmo tempo com a degradação do serviço de televisão por subscrição. Assim, mesmo que estivesses insatisfeito com a introdução da publicidade forçada, não tinhas para onde fugir. Se mudasses de operador, o cenário era exatamente o mesmo.
Curiosamente, o esquema teve também um impacto brutal no mercado publicitário, afetando anunciantes e agências de meios. As operadoras alinharam agulhas para uniformizar os preços dos espaços publicitários, os descontos e todas as condições de venda.
O esquema funcionou em pleno, pelo menos, entre agosto de 2019 e maio de 2025, data em que foram obrigadas a suspender a comercialização destes blocos.
13 milhões é dinheiro a sério?
Não. Nem é.
Dividido pelas quatro empresas, o valor acaba por ser uma gota no oceano face às receitas geradas ao longo de quase seis anos de anúncios obrigatórios.
Aqui a questão é outra. Este dinheiro deveria de ir para os clientes, porque esses foram os reais lesados.




